
A realidade de quem precisa trafegar pelas estradas do Amazonas é marcada por desafios que vão muito além da distância geográfica. O cenário atual das rodovias estaduais reflete um histórico de negligência que impacta diretamente a economia e a dignidade do cidadão que vive no interior. A falta de manutenção básica transformou caminhos essenciais em verdadeiras armadilhas, evidenciando uma crise que exige respostas urgentes das autoridades.
Especialista aponta descaso
O diagnóstico de quem estuda e acompanha de perto a situação é desolador. Rodovias que deveriam integrar o estado hoje servem como símbolos de isolamento. O professor Marcos Maurício, que é engenheiro civil e especialista na área de infraestrutura rodoviária, aponta que o problema central não é apenas financeiro, mas de prioridade política e técnica.
“Infelizmente, a população do Amazonas, sobretudo do interior, sofre, e muito, em razão das condições precárias de trafegabilidade de rodovias, ramais e vicinais”, afirmou o especialista.
Casos emblemáticos como o da rodovia AM-364, o famoso ramal da Democracia em Manicoré, ilustram esse cenário de abandono. A lista de estradas em estado crítico é extensa e inclui vias fundamentais para o escoamento da produção e acesso a serviços básicos:
- AM-454 que liga Codajás a Anori.
- AM-254 em Autazes.
- AM-329 no município de Envira.
- AM-363 conhecida como Rodovia da Várzea.
- AM-240 que dá acesso à Vila de Balbina.
Caos na AM-352
Um dos pontos mais críticos da malha estadual é a rodovia AM-352 (Rodovia de Novo Airão). A via que liga o município de Novo Airão é descrita como um verdadeiro retrato do descaso com o povo amazonense. Quem utiliza o trecho enfrenta situações de alto risco diariamente por conta das crateras que tomaram conta da pista.
A situação da estrada é alarmante por diversos fatores:
- Há trechos extensos onde a pavimentação simplesmente desapareceu.
- Nos locais onde ainda existe asfalto, a falta de sinalização básica é total.
- Buracos e crateras profundas colocam vidas em risco e causam prejuízos mecânicos.
- O escoamento da produção e o transporte de famílias estão travados pela negligência.
“Não é só uma estrada danificada. É o direito de ir e vir sendo ignorado”, destaca um relato de parlamentar que acompanha o sofrimento dos produtores da região.
Investigações e dados
A gravidade da situação já mobiliza órgãos de controle. Recentemente o Ministério Público do Amazonas (MPAM) iniciou investigações sobre a manutenção de ramais em Careiro Castanho. As denúncias de intrafegabilidade mostram que o problema impede o acesso à saúde e educação, além de prejudicar a produção rural.
Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 da Confederação Nacional do Transporte (CNT) revelam que o modelo de gestão rodoviária no estado está ultrapassado. O levantamento indica que a malha rodoviária do Amazonas apresenta índices de deficiência preocupantes, o que reforça a necessidade de uma mudança drástica na forma como o Governo do Amazonas cuida de suas estradas.
Modelos de sucesso
Para superar o atraso é preciso olhar para modelos que funcionam em outras regiões do país. Como engenheiro, o professor Marcos Maurício sugere que o estado observe o programa “Estrada Boa Rural” executado em Santa Catarina. O projeto foca na melhoria das condições rodoviárias com um percurso metodológico definido e foco em direitos sociais.
A proposta para o Amazonas envolve a descentralização das ações e o fortalecimento de parcerias técnicas.
“O Governo do Amazonas precisa atuar em parceria com os Municípios”, sugeriu o professor ao defender que o estado e as prefeituras firmem convênios simplificados para a recuperação de segmentos rodoviários vicinais.
Debate eleitoral e propostas
Com o período eleitoral se aproximando, o tema da infraestrutura ganha peso nos debates. Até o momento, a professora Maria do Carmo Seffair, pré-candidata ao Governo do Amazonas, manifestou propostas objetivas sobre o tema. Entre as medidas apresentadas está a recriação do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (DER-AM), órgão que teria a missão técnica de resgatar a malha viária estadual.
Enquanto isso, a sociedade aguarda o posicionamento de outros nomes de peso na política local como o senador Omar Aziz, o prefeito Davi Almeida e o vice-governador Tadeu de Souza. O resgate da dignidade de quem vive no Amazonas passa, obrigatoriamente, por estradas seguras e trafegáveis.










