
A recente colheita de vitórias dos lutadores amazonenses em palcos nacionais traz um orgulho justificável para Manaus, mas também abre uma discussão necessária sobre como o poder público apoia suas pratas da casa.
No Campeonato Brasileiro de Jiu-Jítsu, realizado entre os dias (12 a 14/6) em São Paulo, a delegação de Manaus garantiu 27 medalhas em diferentes categorias, um aproveitamento expressivo para os mais de 50 atletas locais que viajaram para a disputa.
O resultado consolida a capital como um celeiro histórico de campeões na modalidade.
Contudo, o brilho dos pódios não deve marcar o fim das cobranças por políticas públicas contínuas, evitando que o incentivo dependa apenas de ações sazonais.
O suporte financeiro para a viagem foi viabilizado pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel). Para assegurar a ida da delegação, o município concedeu passagens aéreas e uma ajuda de custo individual.
Embora a iniciativa tenha garantido a participação, a dependência crônica de repasses pontuais mostra que o esporte de alto rendimento no Amazonas ainda opera sob o regime da incerteza, forçando atletas a dividirem o foco dos treinos com a ansiedade de conseguir o dinheiro para viajar.
Investimento pontual sob cobrança
A liberação de recursos para os competidores incluiu uma cota de ajuda de custo fixada no valor de R$ 1 mil por atleta. No mercado atual, essa quantia mal cobre os gastos básicos com alimentação, inscrição e deslocamento interno em uma metrópole como São Paulo durante os dias de evento.
A conquista expressiva reflete muito mais o suor diário nos tatames das periferias e o sacrifício financeiro de professores e familiares do que uma estrutura sólida de patrocínio governamental de longo prazo.
“O esporte é uma ferramenta de transformação social e desenvolvimento humano. Ver nossos atletas alcançando resultados tão expressivos in uma competição nacional mostra que estamos no caminho certo ao investir e incentivar o esporte em Manaus”, destacou o secretário da Semjel, Joel Silva.
A fala da gerência esportiva foca no impacto social da inclusão, mas a realidade exige que o incentivo mude de patamar. O apoio institucional não pode ser visto como uma benfeitoria temporária, mas sim como uma obrigação contínua de fomento que dê previsibilidade aos atletas ao longo de todo o calendário de competições.
Desafios além do pódio
A consolidação de Manaus como potência nas artes marciais depende de uma mudança estrutural na forma como o dinheiro público é aplicado nas comunidades. O retorno com as medalhas na bagagem encerra uma etapa vitoriosa, mas deixa lições claras sobre o que precisa melhorar.
A rotina dos atletas locais expõe as carências do sistema municipal:
- Custo de permanência: O valor de R$ 1 mil se mostra insuficiente para cobrir imprevistos logísticos em viagens interestaduais longas.
- Rede de apoio: A preparação diária continua dependendo de vaquinhas organizadas por professores e equipes técnicas nos bairros.
- Inclusão de talentos: Mais de 50 competidores viajaram, mas centenas de outros jovens talentosos permanecem sem chance de projeção por falta de editais permanentes de incentivo.
Os atletas retornam para o Amazonas com a missão cumprida e o nome da cidade elevado ao topo do cenário nacional. Para que o jiu-jítsu continue transformando vidas e revelando talentos, a gestão municipal precisa avançar para além da entrega de passagens e cotas básicas, estruturando um plano de patrocínio fixo que valorize o trabalhador do esporte desde a base até a consagração nacional.
Fonte: ASCOM | Lucas Cristian/Semjel










