
O início de 2026 marca um ponto de virada na corrida tecnológica global com uma ofensiva coordenada das gigantes chinesas. Aproveitando o simbolismo e a pausa do Ano Novo Lunar, empresas como Alibaba, ByteDance e Zhipu AI decidiram inundar o mercado com modelos de inteligência artificial (IA) que não apenas competem, mas em muitos aspectos superam as soluções ocidentais. O que estamos vendo agora é a transição definitiva para os chamados agentes de IA, sistemas com autonomia para navegar, decidir e executar tarefas complexas sem qualquer ajuda humana.
Essa movimentação coloca a China em uma posição de confronto direto com o progresso norte-americano, trazendo ferramentas que prometem ser mais baratas, rápidas e independentes de hardware estrangeiro.
O salto de eficiência do Qwen 3.5
A gigante do varejo Alibaba não perdeu tempo e lançou o “Qwen 3.5” estrategicamente horas antes do feriado nacional. Este novo modelo é uma demonstração de força técnica, sendo capaz de processar texto, imagens e vídeos em 200 idiomas diferentes. O grande diferencial aqui é a velocidade, a empresa garante que o sistema lança agentes de IA até cinco vezes mais rápido que os modelos mais famosos da atualidade, como o “ChatGPT” da OpenAI e o “Claude” da Anthropic.
Além do desempenho, o custo operacional foi reduzido em 60% em comparação com a versão anterior, o “Qwen 2.5”. Para sustentar esse avanço, a Alibaba anunciou um plano de investimento massivo de CNY 380 bilhões (aproximadamente EUR 50,6 bilhões) voltado para computação em nuvem e inteligência artificial nos próximos três anos.
O cinema em risco com a ByteDance
Enquanto a Alibaba foca em produtividade, a ByteDance, dona do TikTok, avançou sobre o terreno da criatividade e do raciocínio complexo. O lançamento do “Doubao 2.0” trouxe capacidades de execução de tarefas em múltiplos passos que já se comparam ao “Gemini” do Google. Mas foi o “SeeDance 2.0”, focado em conversão de texto e imagem para vídeo, que gerou maior impacto ao permitir criações imersivas com controle de nível profissional.
Um vídeo viralizando com os atores Tom Cruise e Brad Pitt mostrou o potencial da ferramenta, mas também acendeu o alerta vermelho em Hollywood. A Motion Picture Association criticou abertamente o uso de obras protegidas sem salvaguardas.
“Ao lançar um serviço que funciona sem salvaguardas significativas contra infrações, a ByteDance ignora a legislação de direitos de autor, amplamente consolidada, que protege os direitos dos criadores”, afirmou a associação norte-americana. Em resposta, a ByteDance afirmou que reforçará a segurança para proteger a propriedade intelectual.
A busca chinesa pela soberania dos chips
Um dos marcos mais importantes desta semana veio da Zhipu AI com o lançamento do “GLM-5”. O modelo de código aberto foi totalmente treinado em chips Huawei Ascend, o que representa uma declaração de independência em relação aos semicondutores fabricados nos Estados Unidos. A empresa descreve esse feito como um “marco numa infraestrutura de IA autossuficiente”.
Recentemente, a Zhipu AI levantou HKD 4,35 bilhões (EUR 465 milhões) em sua estreia na bolsa de Hong Kong para acelerar o desenvolvimento dessa nova geração de modelos capazes de gerenciar fluxos de trabalho prolongados e analisar artigos acadêmicos densos.
O mistério em torno do novo DeepSeek V4
A indústria agora aguarda com ansiedade o lançamento do “DeepSeek V4”. A empresa já provou ser uma força disruptiva quando a versão “DeepSeek V3” causou um terremoto financeiro no ano passado, provocando uma queda de 17% nas ações da Nvidia e apagando USD 600 bilhões em valor de mercado em um único dia.
Apesar do sucesso global e de ter superado o “ChatGPT” em rankings de downloads em janeiro passado, o avanço da DeepSeek enfrenta barreiras políticas.
- Itália, Dinamarca e República Checa proibiram o uso por órgãos públicos.
- Bélgica interrompeu o uso oficial devido a riscos de cibersegurança.
- O chatbot aumentou recentemente sua janela de contexto para processar mais informações simultâneas.
O fato é que o mercado chinês não está apenas seguindo tendências, ele está ditando o ritmo de inovação para 2026, desafiando a hegemonia ocidental com uma combinação agressiva de baixo custo e alta performance.
Fonte: https://pt.euronews.com/next/2026/02/17/china-lanca-novos-modelos-de-ia-antes-do-ano-novo-lunar










