
A realidade de quem vive no interior do estado do Amazonas é marcada por imensas distâncias navegáveis e altos custos de transporte fluvial. Para milhares de mulheres de comunidades rurais e ribeirinhas, consultar um especialista ou realizar exames preventivos básicos exige viagens que duram horas ou até dias pelos rios amazônicos.
Diante desse gargalo na saúde pública, a deputada estadual Brena Dianná (UB), protocolou um requerimento na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) nesta terça-feira (13/10).
A proposta solicita ao Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCECON), a execução imediata de “Mutirões Itinerantes de Saúde da Mulher Ribeirinha” nos municípios do interior.
O isolamento geográfico faz com que gestantes, idosas e pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo adiem consultas e exames essenciais. A iniciativa busca levar o atendimento médico especializado diretamente às localidades mais distantes, garantindo prevenção e equidade.
“Além de ampliar o acesso aos serviços básicos de saúde, a medida pretende promover a prevenção a partir do diagnóstico precoce de doenças que figuram entre as principais causas de mortalidade feminina. Em muitas localidades do interior, o deslocamento até Manaus ou aos polos regionais pode levar horas ou até dias de viagem pelos rios amazônicos, tornando o acompanhamento médico um desafio permanente para mulheres gestantes, idosas e pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo”, afirmou Brena Dianná.
A justificativa do requerimento reforça que a ausência de assistência regular provoca o diagnóstico tardio de enfermidades graves, com destaque para o câncer do colo do útero e o câncer de mama, além de fragilizar o acompanhamento da saúde materna.
“A longa distância dos centros urbanos, aliada aos custos elevados de deslocamento por via fluvial, resulta no diagnóstico tardio do câncer do colo do útero e de mama, além de fragilizar o acompanhamento pré-natal das gestantes rurais”, enfatizou.
Exames e serviços previstos
A medida está alinhada ao programa “Saúde Integral”, previsto no “Plano Plurianual” (“PPA”) 2024-2027, que estabelece o fortalecimento da Atenção Primária em áreas rurais e a descentralização de exames de média complexidade.
Entre os procedimentos essenciais que devem integrar a estrutura dos mutirões itinerantes nas comunidades, destacam-se os seguintes:
- Mamografias para o rastreamento do câncer de mama;
- Exames preventivos do colo do útero, como o Papanicolau;
- Consultas de pré-natal voltadas para gestações de baixo e alto risco;
- Ultrassonografias obstétricas e exames laboratoriais diversos;
- Testes rápidos para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), HIV e sífilis.
O projeto prevê também o encaminhamento ágil de pacientes que apresentarem alterações nos resultados para unidades de saúde de referência no estado, assegurando a continuidade do tratamento.
“Nossa intenção é que os mutirões permitam identificar precocemente casos suspeitos de câncer, infecções sexualmente transmissíveis e complicações gestacionais, possibilitando intervenções médicas mais rápidas e aumentando as chances de sucesso nos tratamentos. Além disso, a presença das equipes multiprofissionais nas comunidades deve contribuir para ações de orientação, conscientização e educação voltadas à população feminina”, prospectou Brena Dianná.
Tramitação e impacto social
Protocolado oficialmente em 13 de outubro de 2026, o requerimento determina que a SES-AM e a FCECON informem formalmente ao gabinete da parlamentar sobre as providências operacionais adotadas. A expectativa é que a ação reduza as desigualdades históricas no atendimento à população do interior e fortaleça a rede pública de saúde, oferecendo dignidade e melhor qualidade de vida para milhares de famílias que vivem nas localidades mais distantes do Amazonas.
ASCOM: Shirley Assis










