A guerra que não dorme e o frio como arma de destruição na Ucrânia

As marcas da invasão russa na Ucrânia entram em seu quarto ano com uma face ainda mais cruel e estratégica. Na madrugada deste sábado, 10 de janeiro, o mundo testemunhou novamente o uso da infraestrutura civil como alvo prioritário. Mais de uma centena de drones e mísseis, incluindo os temidos modelos balísticos Iskander, cortaram o céu ucraniano para atingir pelo menos 15 localidades diferentes. O resultado imediato vai além das perdas humanas e atinge o cerne da sobrevivência básica em um inverno rigoroso que não dá tréguas aos civis.

A estratégia de atingir redes de eletricidade e gás durante os meses mais frios do ano mostra um cálculo deliberado para desgastar a resistência da população. Os danos registrados nas últimas 24 horas evidenciam a gravidade da situação e mostram que o conflito está longe de uma solução diplomática. Quando o aquecimento é cortado em meio a previsões de temperaturas negativas extremas, o armamento deixa de ser apenas o metal e passa a ser o próprio clima.

O impacto humanitário e a crise energética sob temperaturas negativas

O balanço dos ataques realizados neste fim de semana revela um cenário de desolação em diversas frentes. A destruição não escolhe alvos militares e se espalha por edifícios residenciais e serviços essenciais. Os pontos a seguir detalham a dimensão do impacto sofrido pela população ucraniana:

  • Duas mortes foram confirmadas e mais de 15 pessoas ficaram feridas em ataques distribuídos por regiões como Donetsk e Kherson.
  • Cerca de 100 mil famílias enfrentam a falta total de energia elétrica e gás em Dnipropetrovsk após bombardeios que atingiram usinas e gasodutos.
  • A previsão de uma queda de 10 graus Celsius para este domingo coloca em risco a vida de idosos e crianças que ficaram sem sistemas de calefação.
  • Zaporizhzhia permanece como um dos epicentros da violência e sofreu mais de 740 ataques apenas na última sexta-feira conforme dados das autoridades locais.
  • Em Kharkiv, edifícios residenciais de vários andares e armazéns de empresas locais foram transformados em escombros por mísseis russos.

A escalada do conflito e os ataques em território russo

A dinâmica do confronto apresenta uma fase de retaliações diretas que ampliam o rastro de destruição para além das fronteiras ucranianas. Enquanto Kiev tenta manter o funcionamento de suas defesas aéreas, a região russa de Belgorod também sentiu o peso das hostilidades neste sábado. Um ataque atribuído às forças ucranianas deixou cerca de 600 mil habitantes sem serviços de água e luz, evidenciando que a infraestrutura energética se tornou o principal tabuleiro desta guerra.

Esse cenário demonstra que o conflito ultrapassou limites geográficos para se transformar em um ciclo de sofrimento mútuo. A destruição de gasodutos em Kherson e a paralisia de serviços em Belgorod reforçam que o objetivo atual parece ser o colapso do bem-estar social de ambos os lados. Com civis pagando o preço mais alto, a paz permanece como um horizonte distante. A resiliência de quem vive sob o som das sirenes é testada ao limite em um cenário onde o frio intenso se torna tão letal quanto os próprios mísseis.

Fonte: https://pt.euronews.com/2026/01/10/pelo-menos-duas-pessoas-mortas-e-15-feridas-em-ataques-russos-durante-a-noite-na-ucrania

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