Voz Sideral Maior fusão de buracos negros já detectada surpreende cientistas

Maior fusão de buracos negros já detectada surpreende cientistas

Colisão fora da Via Láctea gerou um objeto com cerca de 225 vezes a massa do Sol

Representação artística de encontro de dois buracos negros – Foto: Marius Stancu/Pixabay

A maior fusão de buracos negros já registrada foi detectada por cientistas e gerou um buraco negro com aproximadamente 225 vezes a massa do Sol. A colisão envolveu dois buracos negros com massas estimadas em cerca de 100 e 140 vezes a do Sol, o que os coloca em uma faixa considerada extremamente rara na astrofísica.

O evento cósmico será apresentado entre os dias 14 e 18 de julho, durante a 24ª Conferência Internacional sobre Relatividade Geral e Gravitação e a 16ª Conferência Edoardo Amaldi sobre Ondas Gravitacionais, em Glasgow, na Escócia.

A detecção ocorreu em 23 de novembro de 2023, fora dos limites da Via Láctea, e foi identificada a partir das distorções no espaço-tempo captadas pelos detectores dos Estados Unidos e do Japão.

O registro do fenômeno foi feito pelas instalações do LIGO, localizadas na Louisiana e em Washington. Esses observatórios utilizam dois túneis de quatro quilômetros, dispostos em “L”, com feixes de laser idênticos.

Quando uma onda gravitacional atravessa a Terra, ela deforma o espaço e altera levemente o comprimento desses feixes, o que permite identificar colisões distantes no universo.

O sinal detectado indicava uma colisão complexa, com dois buracos negros girando a velocidades elevadas. Esse fator dificulta o cálculo exato das massas, já que as simulações utilizadas pelos astrônomos dependem de modelos matemáticos baseados nas equações de Einstein.

“Os buracos negros em GW231123 parecem estar altamente em rotação, e nossos modelos diferentes fornecem resultados distintos”, explicou o físico Mark Hannam, da Universidade de Cardiff.

Faixa de massa considerada rara

Segundo Hannam, buracos negros com massas entre 60 e 130 vezes a do Sol não deveriam se formar pela simples morte de uma estrela, pois o colapso de estrelas muito grandes tende a gerar supernovas que impedem a criação do buraco negro.

“Nesse caso, os buracos parecem estar exatamente nessa faixa”, afirmou o físico.

Isso sugere que o buraco negro resultante pode fazer parte do grupo de massa intermediária, cuja existência ainda é pouco comprovada.

Para aprimorar os modelos e obter medições mais precisas, os cientistas dependem da observação de outros casos semelhantes, com características de rotação acentuada.

Orçamento pode comprometer pesquisas

Desde 2015, as colaborações LIGO, Virgo e KAGRA já detectaram cerca de 300 fusões de buracos negros, 200 delas apenas na fase mais recente.

Apesar dos avanços, o diretor do LIGO, David Reitze, alerta que cortes no orçamento promovidos pelo governo Trump ameaçam encerrar as atividades de um dos detectores, tornando futuras descobertas “quase impossíveis”, segundo ele.

Fonte: https://tecnologia.ig.com.br/2025-07-14/maior-fusao-de-buracos-negros-ja-detectada-surpreende-cientistas.html

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