
A revitalização dos prédios históricos no coração da capital amazonense ganhou um ritmo mais forte com o avanço dos trabalhos no Casarão de São Vicente. A intervenção tocada pela Prefeitura de Manaus recupera a fachada tradicional, resgata a estrutura antiga e prepara a edificação para receber novas atividades no centro histórico da cidade.
A ideia de devolver utilidade aos imóveis antigos que passaram anos sem uso é fundamental para movimentar a região, embora exija planejamento contínuo das autoridades para garantir que o local continue movimentado após o encerramento das obras.
O projeto avança com ações focadas em devolver ao imóvel sua importância na vida urbana da capital. O arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, vice-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (IMPLURB), ressalta que o trabalho une o respeito ao passado com novas oportunidades para a população.
“Recuperar o Casarão de São Vicente é resgatar parte da história de Manaus e, ao mesmo tempo, dar uma nova perspectiva de utilização a um imóvel que permaneceu por anos sem cumprir uma função na cidade. Estamos trabalhando para preservar suas características arquitetônicas originais, respeitando os critérios técnicos de restauro e preparando a edificação para receber novas atividades. É uma intervenção que demonstra a importância de cuidar do patrimônio histórico e reintegrá-lo à dinâmica urbana, contribuindo para a reocupação e valorização do Centro”, destacou Pedro Paulo Cordeiro.
Técnicas tradicionais de restauro
Durante a recuperação da fachada, os trabalhadores realizam a recomposição de frisos, cimalhas e ornatos ornamentais. Os procedimentos seguem padrões rígidos para evitar qualquer tipo de alteração no estilo original da construção. Para alcançar o acabamento ideal, a equipe preparou moldes específicos feitos de acrílico, usados para aplicar a massa e refazer as peças decorativas com precisão.
A escolha dos materiais respeita as exigências do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Em vez das misturas usadas em construções modernas, a obra utiliza argamassa à base de cal, combinada com areia e cimento no traço técnico recomendado para prédios antigos. A arquiteta Joyce Carvalho, profissional responsável pelo acompanhamento dos serviços no canteiro de obras, explicou o cuidado empregado pela equipe.
“Estamos recuperando e reabilitando o casarão e, ao mesmo tempo, preservando o que ele já tinha. Estamos mantendo o máximo possível dos elementos originais, principalmente os frisos e as cimalhas, tanto de alvenaria quanto de madeira”, afirmou Joyce Carvalho.
Inovação em prédio antigo
Desenvolvido pelo IMPLURB, o projeto arquitetônico vai transformar a antiga edificação em um hub voltado para inovação, tecnologia e empreendedorismo, com estrutura preparada para abrigar eventos de diversos portes. O prédio conta com três pavimentos projetados para funcionar de maneira independente ou integrada, permitindo reuniões de pequeno porte até grandes encontros comunitários e empresariais.
As frentes de trabalho contemplam ainda a execução das estruturas de fundação do imóvel, com a montagem de vigas, sapatas e pilares, além da recuperação completa dos guarda-corpos metálicos. A iniciativa faz parte do programa “Nosso Centro”, que reflete uma das diretrizes da gestão do prefeito Renato Junior para reaproveitar os espaços públicos e incentivar a circulação diária de moradores e visitantes.
Investimentos e obras integradas
A recuperação do Casarão de São Vicente faz parte de um conjunto maior de obras na área central de Manaus. A região já recebeu intervenções conhecidas como o Mirante Lúcia Almeida, o Largo de São Vicente, o píer turístico “Manaus 355” e o Casarão Thiago de Mello. Todas essas ações buscam unir a preservação do patrimônio histórico ao desenvolvimento econômico local e ao turismo.
Com investimento total superior a R$ 14 milhões, a obra é fruto de uma parceria da Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal do Trabalho, Empreendedorismo e Inovação (SEMTEPI), com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Detalhes técnicos dos trabalhos
- Recuperação de frisos, cimalhas e ornatos de alvenaria e madeira com moldes de acrílico.
- Aplicação de argamassa de cal, areia e cimento alinhada com as normas do IPHAN.
- Construção de hub de inovação, tecnologia e empreendedorismo distribuído em três andares flexíveis.
- Execução de obras estruturais de fundação com vigas, sapatas, pilares e restauração de guarda-corpos metálicos.
- Investimento de R$ 14 milhões via parceria entre SEMTEPI e FINEP vinculada ao MCTI.
- Integração ao programa “Nosso Centro” sob a diretriz do prefeito Renato Junior.
Fonte: ASCOM | Implurb









