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De Manaus ao Vietnã, engenheiro amazonense transforma sonho de infância em carreira internacional

Engenheiro amazonense Mario Thiago Queiroz de Carvalho, une paixão pela aviação e carreira internacional – Foto: Divulgação/ ASCOM

A imagem de um Boeing 747 da Varig estacionado no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, continua bem viva na memória do engenheiro civil Mario Thiago Queiroz de Carvalho. Ainda criança, por volta dos seis ou sete anos, ele foi levado pelo pai para ver de perto aquele gigante dos ares.

O passeio contou com um jantar especial no restaurante do mezanino, com vista privilegiada para a pista, e terminou com um tradicional sorvete da Glacial. O que parecia apenas uma lembrança afetuosa da infância acabou se tornando a semente de uma carreira internacional.

Desde cedo, as conversas em família já indicavam a profissão do futuro. Tratores, escavadeiras e caminhões de brinquedo dominavam a rotina de jogos do menino.

O pai fazia questão de reforçar a confiança no filho, garantindo que ele construiria grandes estruturas e alcançaria reconhecimento.

“Meu pai sempre dizia que eu seria engenheiro. Cresci ouvindo aquilo e nunca me imaginei seguindo outra profissão. Hoje, percebo o quanto suas palavras de incentivo influenciaram a maneira como passei a acreditar em mim e no que poderia construir”, relembra o profissional.

O encantamento pela aviação cresceu junto com a dedicação aos estudos. O incentivo para tirar notas boas na escola vinha acompanhado de recompensas especiais em Manaus.

O pai o levava até a loja Noha, localizada no Amazonas Shopping, para escolher miniaturas de aviões de coleção.

“Eu estudava pensando nas boas notas, mas também nos aviões de coleção que queria ganhar. Aquele passeio ao aeroporto ficou muito marcado. Meu amor pela aviação foi crescendo a partir dali”, conta Mario ao recordar essa fase marcante.

Apesar da paixão pelas aeronaves, ser piloto jamais esteve nos seus planos, e ele nem imaginava que a engenharia civil e a aviação se cruzariam no futuro.

Primeiros passos na engenharia

A história do profissional amazonense exemplifica como as raízes da infância impulsionam escolhas e abrem caminhos. Formado pela Universidade Nilton Lins, em Manaus, Mario começou a carreira no chão de fábrica do setor da construção. Ainda durante a graduação, trabalhou como auxiliar de engenharia em grandes empreendimentos da capital amazonense, participando das obras da Arena da Amazônia, do Shopping Manaus Via Norte e do Distribution Park Manaus 3, vivenciando os desafios práticos de projetos de grande porte.

Em meio a um período de crise econômica no Brasil, o profissional decidiu buscar novas oportunidades no exterior. Mudou-se para o Canadá, fixando residência em Toronto, onde deu sequência à sua formação no Seneca College.

No mercado canadense, começou atuando em obras de infraestrutura urbana e viária, lidando com a execução de rodovias, pontes, terminais de transporte e serviços de urbanização.

Paixão reencontrada em Toronto

O reencontro definitivo com a aviação aconteceu quando a empresa canadense em que trabalhava assumiu um projeto no Aeroporto Internacional Toronto Pearson e o convidou para integrar a equipe. Trabalhar perto da pista trouxe imediatamente as lembranças dos passeios de infância em Manaus.

“Quando vi tantos aviões de perto, senti aquela paixão reaparecer. As memórias dos passeios com meu pai voltaram. Ao chegar em casa, eu já queria que fosse o dia seguinte para retornar ao aeroporto”, recorda o engenheiro sobre a emoção daquele momento.

No projeto canadense, ele participou da expansão do terminal e de intervenções na infraestrutura do pátio de aeronaves e das pistas de táxi, conhecidas como taxiways. Essa rotina o fez perceber como unir o conhecimento da engenharia às necessidades da operação aeroportuária.

“Comecei a relacionar o que sabia sobre os aviões com as necessidades do aeroporto e com as soluções de infraestrutura. Foi quando percebi que queria me desenvolver profissionalmente naquela área”, afirma sobre essa redescoberta.

Para aprofundar os conhecimentos técnicos, concluiu um MBA em Infraestrutura Aeroportuária.

Obras pelo Brasil

A bagagem acumulada no exterior abriu portas para uma atuação abrangente em diversos aeroportos brasileiros. Mario participou ativamente de estudos, planejamento e execução de obras em várias regiões do país, incluindo as instalações de:

  • Maceió, Aracaju e Juazeiro do Norte.
  • Porto Velho e Boa Vista.
  • Estudos técnicos para a nova pista de pouso no aeroporto de Curitiba.
  • Expansão do pátio de aeronaves e da pista do aeroporto de Londrina.
  • Trabalhos relacionados aos aeroportos de Santarém, Carajás, Altamira e Marabá.

Atuação global no Vietnã

No final do ano de 2025, o engenheiro assumiu o desafio de integrar a equipe da empresa Artelia no projeto do Aeroporto Internacional de Gia Binh, no Vietnã. Trabalhando em um ambiente internacional que reúne profissionais de diferentes nacionalidades, o amazonense aplica diariamente a experiência acumulada ao longo da carreira.

“Em todos os momentos. Entender as aeronaves, as necessidades dos pilotos e a operação do aeroporto me ajuda a compreender o motivo de cada exigência e a relacioná-la às decisões de engenharia”, explica o profissional sobre como a paixão pelos aviões contribui no seu trabalho.

Desafios da gestão integrada

Gerenciar obras em aeroportos exige um planejamento detalhado, pois os terminais mantêm suas atividades normais durante as reformas. Nesses locais, é necessário coordenar equipes, equipamentos e cronogramas sem comprometer as rotinas de voo e a segurança.

“A obra precisa ser planejada considerando o que acontece ao redor. É necessário entender onde podemos trabalhar, em quais condições e como coordenar a execução com a operação aeroportuária”, destaca Mario sobre essa dinâmica de trabalho.

A atuação do engenheiro abrange todas as fases dos empreendimentos:

  • Estudos iniciais e desenvolvimento dos projetos.
  • Planejamento, execução e supervisão direta das obras.
  • Coordenação de equipes multidisciplinares e acompanhamento de prazos.
  • Controle de qualidade, segurança do trabalho e gestão de riscos.

Em projetos executados no modelo fast-track, em que o desenvolvimento dos projetos e a construção acontecem de forma simultânea, essa integração torna-se fundamental para antecipar restrições e manter o cronograma sem afetar a qualidade. O profissional também considera a perspectiva dos usuários da infraestrutura, avaliando a função de sistemas como iluminação e orientação visual a partir das necessidades dos pilotos.

Valores de família

Mesmo com a bagagem acumulada em grandes obras no Brasil, no Canadá e no Vietnã, Mario mantém objetivos que vão além da ascensão profissional. Ele deseja continuar aprendendo, conquistar o reconhecimento dos colegas e compartilhar seu aprendizado.

“Quero continuar aprendendo e ser um profissional em quem as pessoas possam confiar. Espero que minha trajetória possa incentivar quem está começando e que eu consiga compartilhar o que aprendi com os colegas com quem trabalho”, ressalta sobre seus objetivos.

A fé e a família seguem como pilares centrais na sua vida. O amazonense expressa sua gratidão pelo apoio recebido ao longo dos anos, destacando o carinho pela esposa, Flavia, e pela filha, Fiorella.

“Sou grato a Deus pelo cuidado comigo e com a minha família, minha esposa Flavia e minha filha Fiorella. Quero continuar exercendo minha profissão com responsabilidade, temente a Ele e fazendo o meu melhor onde estiver”, afirma o engenheiro ao demonstrar sua fé.

Da visita marcante ao Aeroporto Eduardo Gomes quando menino aos projetos internacionais de infraestrutura, a trajetória do engenheiro conecta o futuro idealizado pelo pai ao amor pela aviação.

“Continuo seguindo a profissão que meu pai imaginou para mim, mas encontrei nela a área que tanto amo, a aviação”, resume o profissional com clareza.

ASCOM: Ed Blair

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