Economia FIEAM recebe OIM para discutir emprego, educação e atendimento a migrantes

FIEAM recebe OIM para discutir emprego, educação e atendimento a migrantes

Eugênio Guimarães apresenta iniciativas da OIM ao setor industrial – Foto: Divulgação/ ASCOM

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e representantes do setor industrial discutiram na sexta-feira (25/9), em Manaus, ações estratégicas para fortalecer a integração socioeconômica de migrantes e seus familiares no Amazonas. O encontro ocorreu na sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) e contou com a presença do presidente da entidade, Antonio Silva, do presidente do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI), Fausto Augusto Junior, além de empresários e lideranças do setor industrial.

A condução das apresentações ficou a cargo de Eugênio Guimarães, oficial nacional de projetos da OIM. Durante a reunião, ele detalhou iniciativas executadas pela entidade no Brasil e expôs modelos consolidados de cooperação com a iniciativa privada.

“A apresentação de hoje foi uma oportunidade muito importante para aproximarmos a OIM do setor industrial do Amazonas e apresentarmos como podemos contribuir para a integração socioeconômica de pessoas migrantes e suas famílias”, afirmou Eugênio Guimarães.

O representante destacou também a perspectiva de expansão do “Programa Porta Aberta” para o mercado amazonense.

“Ficamos muito satisfeitos com o interesse demonstrado pela FIEAM, pelo Conselho Nacional do SESI e pelos representantes das indústrias, especialmente com a possibilidade de avançarmos na implementação do Programa Porta Aberta no Amazonas e na construção de novas parcerias. Esse diálogo mostra que, quando unimos a experiência da OIM à capacidade de articulação e alcance do setor privado, podemos criar oportunidades mais efetivas de inclusão e contribuir para o desenvolvimento local”, ressaltou o especialista da entidade.

Qualificação e trabalho

O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, apontou que os projetos já estabelecidos em diferentes regiões brasileiras indicam soluções eficientes para ampliar o acesso da população migrante ao mercado de trabalho.

“As iniciativas desenvolvidas no Brasil mostram que é possível construir caminhos para a inclusão produtiva dos migrantes, combinando educação, qualificação profissional, saúde e acesso ao mundo do trabalho. O SESI contribui com essa agenda, apoiando a integração dessas pessoas e de suas famílias e aproximando-as das oportunidades existentes na indústria brasileira”, afirmou o dirigente.

O presidente da FIEAM, Antonio Silva, reforçou a disposição do setor industrial em alinhar projetos estruturados com a OIM.

“A FIEAM está aberta ao diálogo e à construção de futuras parcerias. A indústria pode contribuir com iniciativas que apoiem a integração dessas pessoas, especialmente por meio da educação, da qualificação profissional e da aproximação com o mercado de trabalho”, destacou o líder empresarial.

A superintendente do SESI Amazonas, Rosana Vasconcelos, mapeou frentes de atuação que poderão ser estruturadas no estado a partir da aproximação entre as instituições:

  • Atendimento educacional por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) profissionalizante.
  • Assistência odontológica gratuita voltada para crianças filhas de imigrantes.
  • Ações focadas na juventude com direcionamento direto ao mercado de trabalho.
  • Parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) para ampliação da oferta de cursos de formação profissional.

Exemplos pelo país

A articulação iniciada no Amazonas toma como base iniciativas consolidadas da OIM com federações industriais em diversos estados do país:

  • Rio Grande do Sul: O “Programa Porta Aberta” estabelece 660 matrículas na área educacional do SESI-RS e 700 atendimentos na área de saúde. O SENAI-RS projeta 800 vagas em cursos profissionalizantes, enquanto o Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RS) prevê a capacitação de 240 migrantes por meio de workshops e a inclusão de 700 pessoas na plataforma “Indústria de Talentos”.
  • Santa Catarina: A OIM mantém cooperação com a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) para a execução de um programa de acolhimento de trabalhadores migrantes no setor industrial.
  • Rio de Janeiro: Assinatura de memorando entre OIM e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) para incentivar parcerias com o setor privado.
  • São Paulo: Acordo firmado com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) para ações conjuntas de qualificação e empregabilidade na construção civil.
  • Roraima: Realização de oficinas de capacitação e inserção profissional em conjunto com a Federação das Indústrias do Estado de Roraima (FIER).
  • Acre: Em março deste ano, representantes da OIM visitaram a sede da Federação das Indústrias do Estado do Acre (FIEAC) para apresentar propostas de cooperação regional.

Frentes humanitárias

Entre as ações de maior relevância no país está a “Operação Acolhida”, resposta humanitária voltada a imigrantes venezuelanos. A iniciativa reúne etapas de documentação, interiorização, prevenção e combate ao tráfico de pessoas, fortalecimento da rede pública de saúde, assistência social e incentivo à autonomia socioeconômica.

Os indicadores apresentados no encontro contextualizam o alcance das ações da OIM no território brasileiro:

  • Documentação regularizada: Mais de 650 mil venezuelanos obtiveram residência oficial no Brasil entre os anos de 2017 e maio de 2026.
  • Avaliando e conectando oportunidades: Realização de mais de 13 mil avaliações de viagem e mais de 2,5 mil entrevistas focadas no encaminhamento para vagas de emprego.
  • Estratégia de interiorização: Mais de 160 mil venezuelanos foram interiorizados com apoio documental e acompanhamento direto, abrangendo mais de 1,3 mil viagens para mais de mil municípios brasileiros.
  • Atenção aos povos originários: Atendimento a mais de 15 mil indígenas pertencentes a 36 grupos étnicos em ações humanitárias, serviços de saúde, proteção e atividades de WASH (água, saneamento e higiene).

Presença no Brasil

A OIM completa 10 anos de atuação no Brasil e atinge 75 anos de operação internacional. No cenário nacional, a entidade possui presença fixa em 14 cidades, atuando em frentes como resposta humanitária, saúde, integração no mercado de trabalho, empreendedorismo, governança migratória, mudanças climáticas e redução de riscos de desastres.

Os dados nacionais expostos durante a reunião reforçam a dimensão dos desafios no país:

  • Solicitações de residência: Mais de 2 milhões de migrantes internacionais solicitaram residência oficial no Brasil entre 2010 e 2024.
  • Refugiados reconhecidos: Apenas no ano de 2024, mais de 67 mil pessoas receberam o status oficial de refugiadas no território brasileiro.
  • Diáspora e mobilidade interna: O Brasil contabiliza cerca de 4,9 milhões de brasileiros morando no exterior e aproximadamente 65 milhões de pessoas residindo fora do município em que nasceram.

Com os dados e experiências apresentadas, FIEAM, OIM, Conselho Nacional do SESI e executivos das indústrias locais passam a avaliar as diretrizes formais para implementar as parcerias conjuntas no Amazonas.

Fonte: ASCOM

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