
A busca por soluções para os gargalos históricos da economia amazonense ganhou novos contornos nesta segunda-feira (14/9), durante o encontro “A Indústria na Agenda dos Candidatos a Governo do Estado do Amazonas”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e pelo Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam).
No evento, o candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida (Avante), apresentou seus compromissos para preservar os mais de 130 mil empregos diretos do Polo Industrial de Manaus (PIM) e assegurar a estabilidade do modelo da Zona Franca de Manaus (ZFM). A fala ocorre em um momento decisivo, quando o parque fabril local registra um faturamento de R$ 121,8 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, mas continua vulnerável a incertezas nacionais e graves crises de navegação por conta das secas.

“Como governador, vou me unir à bancada parlamentar do Amazonas, buscar o diálogo permanente com o Governo Federal e acompanhar de perto a implementação da Reforma Tributária. Manter a competitividade da Zona Franca de Manaus, atrair novos investimentos e garantir a geração de empregos serão prioridades do nosso governo”, declarou David Almeida.
Estratégia e articulação
Para estruturar o acompanhamento das políticas públicas voltadas ao setor produtivo, a proposta central do candidato é a criação do “Núcleo Estadual de Competitividade da Zona Franca de Manaus”. Ligado à área de desenvolvimento econômico, o grupo pretende reunir especialistas técnicos para monitorar as regras da Reforma Tributária, gargalos logísticos, exigências regulatórias, infraestrutura e atração de investimentos.
“O PIM emprega diretamente mais de 130 mil trabalhadores e faturou R$ 121,8 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026. Estamos falando do principal motor econômico do Amazonas. Não podemos lembrar do modelo apenas quando surge uma ameaça em Brasília. Ela precisa de acompanhamento diário, inteligência econômica, capacidade de articulação política e uma agenda permanente de competitividade. Por isso, vamos criar o Núcleo Estadual de Competitividade da Zona Franca de Manaus”, afirmou o candidato.
Legado na capital
Ao defender sua capacidade de gestão perante o setor industrial, David Almeida relembrou as ações promovidas quando assumiu a Prefeitura de Manaus, em 2021. Na ocasião, o Distrito Industrial apresentava problemas sérios de pavimentação, prejudicando o fluxo de insumos e mercadorias.
“Quando assumi a Prefeitura, o Distrito Industrial passava por um momento muito difícil em relação à infraestrutura viária. As empresas do Japão, da China que investem aqui no Amazonas, encontravam um Distrito Industrial com vias esburacadas”, recordou David Almeida.
A solução envolveu a execução de um convênio com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Diante da insuficiência dos repasses federais originais, a administração municipal alocou cerca de R$ 29 milhões do próprio tesouro e expandiu o plano de obras com a inclusão de mais 11 avenidas. O pacote abrangeu o asfaltamento do trecho urbano da BR-319, entre a Bola da Suframa e o Porto da Ceasa, além da aplicação de concreto no cruzamento das avenidas Presidente Kennedy e Rodrigo Otávio, trecho crítico onde carretas e contêineres tombavam com frequência.
“Nós assumimos essa responsabilidade e resolvemos o problema da infraestrutura viária do Distrito Industrial”, afirmou.
Gargalos e logística
As propostas para o Estado também miram a conectividade do Amazonas com o restante do país, agravada pelas secas extremas que interrompem o transporte fluvial de cargas. O candidato defende o asfaltamento definitivo da BR-319 mediante uma união de forças políticas que envolva o Governo do Estado, a Assembleia Legislativa e a bancada federal, combinando verbas do orçamento estadual e emendas parlamentares.
“A BR-319 não será o projeto de um político, mas de toda a classe política. Assim, teremos uma alternativa para o escoamento da produção do Polo Industrial de Manaus”, ressaltou David Almeida.
Garantir que propostas de integração e monitoramento saiam do papel exige superar disputas partidárias e garantir orçamentos contínuos. A criação de novos núcleos técnicos e o asfaltamento de rodovias federais demandam articulações complexas em Brasília, onde promessas eleitorais frequentemente esbarram na burocracia estatal e nos entraves ambientais.
Fonte: ASCOM | Leanderson Lima, Emanuelle Baires, Israel Conte e Roberta Bindá










