
A transformação de projetos culturais em eventos de grande escala costuma alterar o dinamismo socioeconômico de uma cidade. No cenário amazonense, o festival “#SouManaus Passo a Paço” consolida-se como um exemplo do uso da ocupação urbana para impulsionar o turismo e a economia criativa.
O evento, que iniciou como uma feira gastronômica de menor porte, ganhou nova dimensão a partir de 2022 após alterações na legislação municipal efetuadas na gestão do então prefeito David Almeida (Avante).
Nas noites de sábado e domingo (5 e 6/9), o ex-prefeito e atual candidato ao Governo do Amazonas acompanhou a programação, esteve no Mirante e no Largo da Ilha de São Vicente, e destacou o protagonismo da festa.
O festival reúne manifestações de música, teatro, dança, moda, gastronomia e cultura urbana. A grade de atrações nacionais contou com nomes como Ana Castela, Léo Santana, Filipe Ret e Gloria Groove, além do segmento gospel representado por Israel Salazar e a cantora Aline Barros, cuja apresentação foi acompanhada integralmente por David Almeida.
O evento também abriu espaço para a atuação de três mil artistas locais. A movimentação econômica atinge o mercado de trabalho regional, com estimativa de geração de mais de 10 mil empregos diretos e indiretos, sob a continuidade administrativa liderada pelo prefeito Renato Junior.
Revitalização da Orla
Um dos reflexos estruturais do festival foi o estímulo à reestruturação da área portuária no Centro Histórico. Historicamente voltada de costas para o Rio Negro, a região central abrigava imóveis abandonados e pontos com presença de pessoas em situação de rua e dependência química.
A ocupação do espaço durante a primeira edição do formato, em 2022, serviu de ponto de partida para a criação do Mirante Lúcia Almeida, entregue no final de 2023, e do Píer Manaus 355.
A transformação de prédios degradados em equipamentos turísticos operantes demonstra como a ocupação cultural pode atuar na recuperação de áreas centrais. A circulação do público favorece a segurança local, fortalece o comércio e estimula a aproximação da população com a paisagem natural do Rio Negro.
Projeção e financiamento
A proposta de expansão do festival prevê alcançar um público de até 200 mil pessoas por dia e buscar a internacionalização da marca. Ao citar nomes como U2, Coldplay, Bruno Mars, Miley Cyrus, Lady Gaga, Madonna e Shakira, David Almeida esclareceu que a ideia não se trata de promessa eleitoral, mas de uma projeção apoiada na união de esforços entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Manaus.
O embrião desse movimento internacional já contou com apresentações de nomes como Alok, David Guetta e Double You em edições anteriores.
Para viabilizar financeiramente atrações desse porte, a estratégia defendida prevê o uso de compensações financeiras pagas por empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) em troca de incentivos fiscais. Como exemplo, foram citadas a Recofarma, que destina cerca de US$ 7 milhões anuais para essa finalidade, e a Ambev, com cerca de US$ 5 milhões por ano.
De acordo com a proposta, parte desses recursos poderia ser direcionada legalmente para parcerias voltadas ao turismo e à realização de grandes eventos.
Desafios do modelo
A consolidação do festival como atração de grande porte impõe desafios permanentes de gestão pública. A ampliação da estrutura exige planejamento contínuo focado na mobilidade urbana, no manejo de resíduos sólidos e na conservação do patrimônio histórico do entorno.
A experiência no Centro Histórico evidencia que a cultura pode atuar como motor de desenvolvimento e revitalização urbana. A aplicação transparente dos recursos e a integração entre diferentes esferas governamentais surgem como etapas fundamentais para consolidar o legado do evento de forma permanente para a cidade.
Fonte: ASCOM | Leanderson Lima, Emanuelle Baires, Israel Conte e Roberta Bindá










