
A madrugada desta terça feira, 18 de agosto, marcou o encerramento de um dos capítulos mais grandiosos da cultura nacional. A morte da atriz Laura Cardoso aos 98 anos não representa apenas a perda de uma pioneira, mas simboliza a despedida de uma geração que construiu a teledramaturgia no Brasil com profundo talento e dedicação absoluta. Em um cenário onde a fama instantânea domina as redes, olhar para mais de oito décadas de entrega aos palcos e estúdios serve como uma lição crítica sobre o verdadeiro peso da profissão de artista.
Fim de ciclo
O comunicado do falecimento veio através do perfil oficial da veterana no Instagram e comoveu o público. A causa da morte não havia sido divulgada até o fechamento desta publicação. A equipe da atriz compartilhou uma mensagem de despedida emocionada para homenagear sua memória.
“Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso”, informou a nota oficial publicada na conta da artista.
Trajetória de pioneirismo
Nascida na cidade de São Paulo no dia 13 de setembro de 1927 e filha de imigrantes portugueses, a jovem Laura começou a trabalhar aos 16 anos nas radionovelas da Rádio Cosmos. A entrada na televisão aconteceu na então recém inaugurada TV Tupi no ano de 1952 com a produção “Tribunal do Coração”. Desde então, a estrela acumulou mais de cem trabalhos na teledramaturgia e ultrapassou a marca de sessenta novelas, passando por emissoras históricas como Excelsior, Record e Cultura. Sua chegada na Globo ocorreu em 1981 com a novela “Brilhante”.
Entre as atuações inesquecíveis que moldaram a opinião pública e a dramaturgia do país estão os papéis de destaque em “Mulheres de Areia” de 1993, “Chocolate com Pimenta” de 2003 e “Caminho das Índias” de 2009. Suas últimas aparições nas telas foram na novela “O Outro Lado do Paraíso” de 2017 e em uma participação especial em “A Dona do Pedaço” de 2019. Todo esse esforço e qualidade técnica renderam a entrega da Ordem do Mérito Cultural em 2006, um reconhecimento concedido a personalidades que engrandecem o país. Ela também teve sua obra e legado celebrados na série documental “Tributo”.
Amor pela atuação
Longe de adotar posturas inatingíveis de celebridade, a veterana sempre se enxergou como uma trabalhadora incansável. Essa visão crítica e humilde sobre o próprio ofício ficou eternizada em sua declaração para o projeto documental que homenageou grandes nomes da arte brasileira.
“Eu amo representar. Quer me ver bem? Ponha me no palco, na televisão, no rádio, no circo. Gosto de trabalhar, de representar e dizer o texto. Sou uma operária se tiver de levantar às 3h, 4h da manhã para gravar, eu vou”, afirmou Laura Cardoso durante a série “Tributo”.
Vida em família
Apesar da vida pública intensa, a atriz mantinha laços familiares extremamente sólidos. O único companheiro de sua vida inteira foi Fernando Balleroni, com quem ela casou em 1949 e permaneceu junto até a morte dele no ano de 1980. O casal teve as filhas Fátima e Fernanda, além do filho José, que infelizmente faleceu três dias após o parto.
A linhagem da artista segue viva por meio de duas netas e um bisneto chamado Fernando Faria, que foi batizado com esse nome em uma bela homenagem ao marido falecido da atriz. A pioneira da televisão dividia seus últimos dias justamente morando com o jovem bisneto em uma enorme mansão localizada em Itu, no interior do estado de São Paulo. A lacuna deixada por sua partida nas telas e em sua casa será impossível de preencher.
Fonte: https://gente.ig.com.br/celebridades/2026-08-18/morre-laura-cardoso-98-anos.html










