
Resíduos orgânicos que antes eram descartados no lixo passarão a gerar energia, adubo e conhecimento prático dentro das salas de aula da rede pública do Amazonas. No dia 10 de agosto, a Escola Estadual Cid Cabral recebe a instalação do primeiro equipamento de biodigestão do Projeto Escolas do Futuro. A iniciativa é desenvolvida pela empresa Eneva em parceria com a Amazônia B e o Instituto Ecoleta.
A tecnologia de biodigestão é amplamente utilizada em países como Holanda, Alemanha e Suécia para o tratamento de resíduos orgânicos, produção de biogás e fortalecimento da economia circular. Ela chega às instituições de ensino amazonenses adaptada à realidade das unidades participantes como uma solução que une inovação, bioeconomia e educação sustentável, convertendo sobras alimentares em ativos e servindo como ferramenta pedagógica permanente.
A Escola Estadual Cid Cabral atende cerca de 250 alunos em tempo integral e prepara aproximadamente 750 refeições diárias. A estimativa é de que a unidade deposite mensalmente cerca de 250 quilos de restos orgânicos no biodigestor. O processo transforma esses resíduos em biogás para abastecer os fogões da própria cozinha e em biofertilizante para aplicação nas hortas e espaços verdes da escola.
Tecnologia em dez escolas
O projeto abrangerá dez unidades da rede pública de ensino do estado, sendo quatro escolas em Manaus, duas em Silves, duas em Itapiranga e duas no município de Rio Preto da Eva. A proposta vai além do fornecimento do equipamento e busca transformar o ambiente escolar em um polo de inovação diária.
O diretor da Amazônia B, Bellmond Viga, ressalta o impacto educativo da iniciativa na formação dos jovens.
“Mais do que instalar um biodigestor, queremos deixar um legado para as escolas. O projeto aproxima os estudantes de soluções que já fazem parte da economia de baixo carbono e mostra, na prática, como tecnologia, sustentabilidade e inovação podem transformar a realidade. Quando eles participam desse processo dentro da própria escola, o aprendizado deixa de ser apenas um conceito e passa a fazer parte do dia a dia”, afirma Bellmond Viga.
Para a empresa Eneva, o projeto marca uma nova etapa na integração entre tecnologia, preservação ambiental e desenvolvimento comunitário. O diretor-executivo de Relações Institucionais e Comunicação da Eneva, Aurélio Amaral, pontua a relevância da ação local.
“O que torna esse projeto tão especial é a capacidade de transformar conceitos como economia circular, transição energética e mudanças climáticas em experiências concretas para os estudantes. Ao ver resíduos orgânicos se transformarem em energia renovável e biofertilizante, os alunos compreendem na prática que os desafios ambientais podem ser enfrentados com inovação, conhecimento e ação local. A Eneva tem o compromisso de apoiar iniciativas que gerem valor duradouro para as comunidades e ampliem oportunidades para as novas gerações. Esse projeto é um símbolo disso”, afirma Aurélio Amaral.
Funcionamento e impacto ambiental
Os equipamentos instalados são do modelo HomeBiogas e atuam por meio da ação de bactérias anaeróbias que decompõem a matéria orgânica em um ambiente fechado. O gás metano gerado é capturado para ser utilizado diretamente na preparação da merenda escolar. O resíduo restante transforma-se em adubo natural aplicado nas hortas e áreas verdes da unidade.
Com a implantação completa do projeto nas dez escolas, mais de 20 toneladas de resíduos orgânicos deixarão de ser enviadas para os aterros sanitários a cada ano. O sistema tem potencial para evitar a emissão de cerca de 8 toneladas de gás carbônico (CO₂) e até 300 quilos de gás metano anualmente.
Cada biodigestor consegue processar até 10 quilos de sobras de alimentos por dia. Após a montagem física, a máquina passa por um período inicial de 25 a 30 dias para a formação da microbiota responsável pelo processo químico, iniciando a produção contínua de combustível e adubo logo em seguida.
Feira e atividades práticas
No dia do lançamento, os estudantes participarão de uma Feira de Sustentabilidade estruturada com oficinas práticas, visitas guiadas até a estrutura do biodigestor e dinâmicas explicativas. O evento abordará temas essenciais do setor de bioeconomia.
- Conceitos de economia circular e processos de compostagem.
- Aplicação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na rotina diária.
- Técnicas de aproveitamento integral dos alimentos e prevenção do desperdício.
- Noções de bioeconomia e funcionamento técnico da biodigestão.
A gestora da Escola Estadual Cid Cabral, Flávia Mendonça, considera a chegada da tecnologia uma oportunidade pedagógica enriquecedora.
“Acreditamos que o biodigestor será um importante recurso pedagógico, permitindo que professores desenvolvam atividades interdisciplinares e que os alunos vivenciem experiências concretas relacionadas à educação ambiental, à economia circular, ao consumo consciente e ao reaproveitamento de resíduos. Quando o estudante participa de um processo como esse, ele compreende que pequenas atitudes podem gerar grandes transformações”, declara a diretora Flávia Mendonça.
Compromisso com metas globais
A iniciativa integra o Projeto Escolas do Futuro – Guardiões da Amazônia e está alinhada às diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU). As ações correspondem a cinco metas globais estabelecidas pela instituição internacional.
- ODS 4 referente à educação de qualidade.
- ODS 7 voltado para energia limpa e acessível.
- ODS 11 que trata de cidades e comunidades sustentáveis.
- ODS 12 focado no consumo e produção responsáveis.
- ODS 13 dedicado à ação contra a mudança global do clima.
Ao reunir infraestrutura tecnológica e metodologia de ensino vivencial, o programa consolida o espaço escolar como um centro ativo de soluções para os desafios ambientais contemporâneos.
Serviço do evento
As atividades formais de inauguração e atendimento à imprensa seguem uma agenda organizada na zona Norte da capital.
Lançamento do Projeto Escolas do Futuro
- Data: 10 de agosto de 2026
Local: Escola Estadual Cid Cabral, situada na rua Morro Canaranas, sem número, Conjunto Canaranas, Bairro Cidade Nova, Manaus.
Programação oficial para imprensa e convidados
- 8h00: Coffee break de recepção.
- 8h35: Visita técnica ao biodigestor.
- 9h00: Cerimônia institucional e coletiva de imprensa.
- 9h50: Fotos oficiais, entrevistas e encerramento.
- 10h00: Oficinas e visita guiada ao biodigestor com estudantes.
ASCOM: Silvia Knapp










