Economia Polo Industrial de Manaus enfrenta barreiras para atrair novos investimentos, alerta FIEAM

Polo Industrial de Manaus enfrenta barreiras para atrair novos investimentos, alerta FIEAM

Foto: Divulgação

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antonio Silva, participou nesta quinta-feira, dia 6 de agosto, de um encontro promovido pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus). A reunião juntou lideranças empresariais, representantes de entidades de classe e o prefeito de Manaus, Renato Junior, em uma mesa de debate focada no desenvolvimento econômico e na organização urbana da capital.

Durante o diálogo, Antonio Silva alertou para o impacto direto da infraestrutura sobre a capacidade de atrair novos empreendimentos para a região. Ao tratar das áreas voltadas para a expansão industrial, o dirigente defendeu que o planejamento territorial venha acompanhado de investimentos reais que viabilizem a instalação de fábricas.

“Nós estamos com impossibilidade de atração de mais investimentos para o nosso Polo Industrial, por conta de questões de infraestrutura. Nós temos que nos sentar à mesa e definir uma ação que possa efetivamente trazer solução para a realidade de hoje. Estamos perdendo e eu quero resolver o nosso problema regional”, afirmou Antonio Silva.

Expansão planejada e mobilidade

A discussão ganhou profundidade ao abordar o ordenamento territorial. A liderança da FIEAM argumentou que o crescimento industrial precisa evitar a concentração de empresas em áreas saturadas ou sem suporte viário adequado. A proposta defendida busca ampliar a capacidade de atração de negócios sem estrangular o trânsito da capital, apostando na ocupação de áreas urbanizadas e na aproximação entre moradia, trabalho e serviços essenciais.

Segundo Antonio Silva, criar núcleos urbanos integrados com comércio, habitação, áreas de lazer, indústrias e escolas reduz drasticamente a necessidade de grandes deslocamentos pela cidade. A medida ajudaria a diminuir o fluxo diário de veículos nas principais vias manauaras, promovendo uma convivência mais equilibrada entre o setor produtivo e a rotina dos cidadãos.

Negócios e qualidade vida

Ao responder aos questionamentos do empresariado, o prefeito Renato Junior destacou que a administração pública precisa ponderar a atividade econômica e a rotina da população. Ao comentar a concessão de licenças para novos empreendimentos, o gestor ressaltou a importância de barrar projetos que não apresentem contrapartidas de infraestrutura capazes de absorver o aumento no fluxo de pedestres e veículos.

“Existe a cidade e existe o cidadão. Eu tenho cuidado da cidade, mas eu também tenho cuidado do cidadão. E quando eu permito que obras deixem o cidadão uma hora no trânsito parado, 45 minutos no trânsito parado, uma hora e 15 minutos no trânsito parado, eu estou evitando que esse cara chegue cedo no trabalho dele e estou evitando que ele chegue cedo nos braços da família dele”, afirmou Renato Junior.

O prefeito reiterou que a geração de empregos deve ocorrer de forma ordenada, com empreendimentos situados em locais apropriados e equipados com estrutura viária compatível.

“Por que não gerar emprego do jeito certo? Colocando os prédios no lugar certo, sem ter problemas no trânsito, para que, quando a capital cresça, nós tenhamos mais para largar as ruas”, disse Renato Junior, reforçando ainda que as decisões tomadas hoje no planejamento da cidade afetam as futuras gerações.

“A gente precisa cuidar de Manaus pensando nos nossos filhos e netos”, completou.

Queda no setor imobiliário

O ritmo de emissão de licenças para novos projetos também pautou as conversas. Representantes do setor produtivo defenderam maior agilidade na análise dos processos pelos órgãos municipais, apontando uma queda acentuada nos lançamentos imobiliários.

  • Primeiro semestre do ano anterior: Aproximadamente 6 mil unidades habitacionais e comerciais foram lançadas no mercado local.
  • Mesmo período em 2026: O volume caiu para cerca de 2,6 mil unidades lançadas.

Para as entidades empresariais, essa retração de mais de 50% está diretamente ligada à demora na liberação de licenças urbanísticas e ambientais. Antonio Silva defendeu uma força-tarefa entre o poder público e as entidades para desburocratizar as análises sem abrir mão da segurança jurídica.

“Eu acho que a gente precisa trazer essa pauta. A ideia é discutir como licenciar de uma forma mais rápida”, pontuou o presidente da FIEAM.

Proposta logística nos portos

O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), Lúcio Flávio Oliveira, apresentou aos presentes uma proposta de intervenção viária que já foi protocolada formalmente na Prefeitura de Manaus.

O projeto é fruto de um estudo elaborado conjuntamente por dois terminais portuários e pelo setor aeronáutico, contando com o suporte técnico do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).

Dividida em três etapas operacionais, a proposta foca em melhorias viárias no entorno da área da Yamaha, ponto estratégico para o escoamento de cargas na capital. Lúcio Flávio enfatizou que a solução exige ação conjunta entre as esferas municipal, estadual e federal, além do investimento privado, uma vez que a malha logística atende a economia de todo o estado do Amazonas.

“Essa é uma pauta para nós, juntos. Eu me coloco à disposição para a gente bater nessa porta junto. Vamos a Brasília ou fazemos uma reunião aqui. A carga e descarga dos portos é de interesse não apenas de Manaus. É do Amazonas”, afirmou Lúcio Flávio Oliveira.

Revitalização urbana em Manaus

Durante o encontro na CDL Manaus, a Prefeitura apresentou um balanço das intervenções urbanas em andamento na cidade. O conjunto de medidas abrange obras de revitalização no Centro Histórico, intervenções de mobilidade, modernização do parque de iluminação pública com lâmpadas de LED, projetos para embutimento de fiação subterrânea e a criação de novos parques e áreas de convivência.

Essas ações foram detalhadas como parte de um plano integrado para transformar a infraestrutura da capital, tornando Manaus mais funcional para os moradores e atrativa para investidores e novos negócios nos próximos anos.

Fonte: ASCOM

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