
Navegar pelos rios do Amazonas parece uma viagem tranquila, mas a malandragem usa essa calmaria para tentar esconder muita coisa errada. Só que na última sexta-feira (15/5), a casa caiu bonito para o tráfico de drogas na Base Fluvial Arpão II, em Coari.
Durante uma revista pesada, as equipes policiais encontraram mais de 22 quilos de maconha do tipo skunk bem escondidos. A brincadeira de mau gosto custou caro e deu um desfalque estimado em R$ 1,1 milhão para o bolso dos criminosos. A ação faz parte da “Operação Fronteira Mais Segura”, coordenada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).
O resultado é muito comemorado, claro, mas bota uma pulga atrás da orelha de todo mundo. Como é que tanta droga consegue viajar tranquilamente no meio dos barcos de passageiros sem ninguém ver nada?
Essa ousadia dos bandidos mostra que vigiar a imensidão das águas da Amazônia é um desafio gigante que exige muito mais do que barreiras fixas.
O flagrante
O relógio marcava umas 11h30 da manhã quando a equipe de plantão resolveu parar o barco de nome Fênix para aquela geral de rotina. Foi aí que entrou em cena a verdadeira estrela da operação, a cadela policial Athena. Com aquele faro apurado que não deixa passar nada, o animal foi direto ao ponto e achou uma mala bem suspeita escondida no banheiro da embarcação.

Lá dentro estavam os 22 tabletes da droga. Toda a mercadoria foi pesada e levada direto para o cartório da Polícia Civil (PC-AM), que funciona ali mesmo dentro da base flutuante, para resolver toda a papelada legal.
“Por volta de 11h30, a equipe da Base Arpão, durante o patrulhamento fluvial nas proximidades do município de Coari, abordou a embarcação Fênix, onde a cadela policial Athena localizou uma mala escondida no banheiro e, nesta mala continham 22 tabletes de substância entorpecente”, afirmou o comandante da Base Arpão II e capitão da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Marcos Barroso.
Mais fumo
O pior de tudo para a bandidagem é que esse não foi o único tombo da semana. Apenas dois dias antes, na quarta-feira, 13 de maio, a mesma fiscalização já tinha feito a festa ao interceptar outra carga pesada na região.
O negócio está feio e o ritmo de apreensões impressiona:
- Remessa de sexta-feira: apreensão de mais de 22 quilos de skunk que estavam escondidos dentro de uma mala no banheiro do barco Fênix.
- Remessa de quarta-feira: interceptação de outros 42 quilos da mesma supermaconha ocultos em caixas de papelão despachadas como encomendas normais em um barco que saiu de Coari rumo a Manaus.
- Prejuízo financeiro: a perícia do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) bateu o martelo e confirmou o peso exato de 42,76 quilos na ocorrência anterior, gerando uma perda de R$ 2,1 milhões para os patrões do tráfico.
Juntando as duas lapadas que a polícia deu em menos de 48 horas, sumiram de circulação mais de 64 quilos de entorpecentes, o que representa uma perda total que passa dos R$ 3,2 milhões.
Isso prova que, mesmo com a polícia em cima, a rota do rio continua pegando fogo e os traficantes não param de tentar.
A união
Toda essa movimentação faz parte da “Operação Segurança Presente”, um plano do Governo do Amazonas que trabalha de mãos dadas com o “Programa Brasil Contra o Crime Organizado”, comandado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Essa parceria serve para tentar fechar o cerco contra a malandragem que usa os rios como se fossem estradas livres.
Ter os policiais de olho nas bases flutuantes ajuda bastante a dar mais segurança para quem mora no interior.
Mas para resolver o problema de verdade e não ficar só enxugando gelo, o governo precisa botar a mão no bolso e investir pesado em tecnologia de satélite e investigação inteligente por muito tempo.
Afinal, os rios são gigantescos e a malandragem sempre tenta achar um furo no bloqueio para passar a mercadoria.










