
O caso envolvendo a Professora Jacqueline (União Brasil) ganhou um ingrediente ainda mais delicado dentro da crise política instalada entre a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e a Câmara Municipal de Manaus (CMM).
A imagem do painel eletrônico do plenário Ruy Araújo, registrada durante a sessão legislativa desta terça-feira (12/5), mostrou apenas 23 deputados estaduais em exercício, sem qualquer menção ao nome da parlamentar que havia tomado posse na cadeira deixada por Roberto Cidade, após sua renúncia para assumir o Governo do Amazonas.
O detalhe provocou ainda mais dúvidas nos bastidores políticos e jurídicos. Até agora, a Mesa Diretora da ALEAM não explicou oficialmente por que o painel passou a exibir apenas 23 parlamentares, nem esclareceu se houve desligamento formal de Jacqueline da vaga de suplente ou eventual suspensão da posse.
Silêncio institucional

Do outro lado, a Câmara Municipal de Manaus também não informou oficialmente se a vereadora continua exercendo normalmente o mandato na CMM, se está licenciada ou se houve vacância formal do cargo.
A ausência de informações das duas Casas ampliou os questionamentos sobre a situação jurídica e administrativa de Jacqueline, principalmente após o pedido de mais prazo para decidir entre permanecer na ALEAM ou retornar definitivamente à Câmara Municipal.
Comissões de ética no jogo
Nos bastidores das casas legislativas, cresce a avaliação de que o episódio pode acabar desembocando nas comissões de ética da ALEAM e da CMM.
Juristas lembram que a Constituição Federal não permite o exercício simultâneo dos mandatos de vereador e deputado estadual, embora a legislação admita substituições temporárias desde que exista afastamento formal de um dos cargos.
O problema, segundo especialistas ouvidos pela coluna, é a ausência de transparência institucional sobre qual condição funcional Jacqueline ocupa neste momento. Adversários políticos já articulam pedidos de esclarecimentos formais às duas Casas legislativas para evitar dúvidas sobre eventual duplicidade administrativa ou parlamentar.
Santaella forte no governo

A movimentação do governador Roberto Cidade para acomodar a jornalista Mônica Santaella no núcleo estratégico do seu governo não passou despercebida nos bastidores políticos.
A mudança da nomenclatura do cargo no Gabinete Pessoal do Governador foi interpretada como um arranjo administrativo desenhado sob medida para garantir espaço estratégico a uma forte articuladora do grupo político de Cidade.
Ao transformar a antiga função de secretário de Governo em Secretaria de Coordenação Estratégica e Articulação Institucional, o governador ampliou o peso político do posto e colocou Mônica diretamente no centro das decisões palacianas. A escolha também sinaliza que Cidade prefere cercar-se de nomes de extrema confiança neste início de gestão, especialmente diante das disputas políticas e administrativas que começam a se desenhar para 2026.
Jornalismo investigativo

A abertura das inscrições da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) para bolsas destinadas a jornalistas da Amazônia Legal chega em momento estratégico para fortalecer a cobertura na região. As inscrições estão abertas até 31 de maio e o evento acontece de 30 de julho a 1º de agosto de 2026, no Campus Paraíso da Unip, na capital paulista.
O programa vai custear passagens, hospedagem e participação no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em São Paulo, priorizando profissionais que atuam em pautas ambientais e conflitos socioambientais.
No Amazonas, a iniciativa é vista como oportunidade importante para ampliar a presença de jornalistas da região nos grandes debates nacionais sobre meio ambiente, mineração ilegal, desmatamento e proteção de povos tradicionais. O projeto também busca estimular a produção de reportagens investigativas em estados historicamente afetados pela pressão econômica sobre a floresta.
Terras raras na mira

O pedido do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para fiscalização rigorosa dos projetos de exploração de terras raras acendeu alerta no setor ambiental e mineral brasileiro.
A preocupação gira em torno da corrida internacional pelos chamados minerais estratégicos, usados em baterias, carros elétricos, tecnologia e transição energética.
A pressão sobre áreas ambientalmente sensíveis, como a Chapada dos Veadeiros, reforçou o temor de flexibilização acelerada das regras ambientais para atender interesses econômicos ligados à mineração.
Monitoramento difícil
Órgãos de controle avaliam que o Governo Federal pode enfrentar dificuldades para monitorar centenas de projetos diante das limitações estruturais de órgãos como Ibama, ICMBio e Agência Nacional de Mineração.
Especialistas alertam que a corrida pelas terras raras pode reproduzir conflitos históricos da mineração brasileira: pressão sobre comunidades tradicionais, judicialização ambiental e fragilidade na fiscalização pública.










