Tecnologia Brasileiros estão confiando sintomas à IA e especialistas fazem alerta preocupante sobre...

Brasileiros estão confiando sintomas à IA e especialistas fazem alerta preocupante sobre riscos invisíveis

Foto: Unsplash

A conveniência é tentadora: um aplicativo de Inteligência Artificial (IA) que analisa sintomas em segundos ou um chat que interpreta exames complexos. Esse comportamento já se tornou um hábito comum entre os brasileiros, que buscam respostas imediatas para dores e desconfortos. No entanto, o que parece um atalho tecnológico pode se tornar um risco grave para a saúde e para a privacidade.

O engenheiro de software Gabriel Barros, com 12 anos de experiência no Vale do Silício e passagens pelo Yahoo Internacional, recomenda cautela extrema. Segundo o especialista, a mesma tecnologia que acelera decisões pode simplificar demais quadros clínicos ou gerar conclusões perigosas.

Por que a IA não substitui o médico

Diferente de um profissional de saúde, as IAs não possuem capacidade de julgamento clínico real. Elas operam com base em padrões aprendidos em gigantescos volumes de dados, o que pode levar a erros estruturais.

Gabriel Barros, que também é cofundador da healthtech MYME, aponta os principais problemas dessa prática:

  • Respostas genéricas: A tecnologia tende a repetir padrões, produzindo orientações que nem sempre se aplicam ao caso específico do paciente.
  • Alucinações tecnológicas: As IAs podem criar respostas que parecem muito convincentes e bem escritas, mas que estão tecnicamente incorretas.
  • Baixa acurácia: Um estudo publicado na revista Nature em 2025 revelou que a precisão média de modelos de IA para diagnósticos é de apenas 52,1%, um desempenho muito abaixo do de médicos especialistas.

O risco invisível da exposição de dados

Além do erro médico, existe o perigo da segurança da informação. Ao enviar exames, histórico médico e até documentos como o CPF para chats de IA generativa, o usuário está criando um repositório de dados sensíveis em ambientes que nem sempre possuem governança adequada.

“Muitas dessas plataformas ainda não têm estruturas de controle de acesso ou transparência sobre como esses dados serão utilizados no futuro, especialmente com a chegada da publicidade segmentada nesses modelos”, alerta Gabriel.

No Brasil, como o uso da IA ainda carece de regulamentação específica, o destino dessas informações pessoais é incerto.

Alternativas seguras e complementares

O acompanhamento médico presencial continua sendo indispensável, mas a tecnologia pode ajudar se usada da forma correta. Gabriel destaca que o foco deve estar no armazenamento seguro e na organização do histórico, e não no diagnóstico automatizado.

Existem ferramentas especializadas, como a plataforma MYME, que permitem ao paciente reunir prontuários de diferentes hospitais, exames e prescrições em um ambiente protegido. Essa solução funciona de forma complementar ao “Meu SUS Digital” (MSD), plataforma do Ministério da Saúde.

Diferenças entre prontuários digitais

  • Meu SUS Digital: Focado em informações da rede pública, permitindo o histórico de atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e o agendamento de consultas.
  • Plataformas de armazenamento: Agregam dados de consultórios particulares, exames físicos digitalizados e informações do cotidiano que a rede pública não registra.

O recado do especialista é claro: a tecnologia deve ser uma aliada da organização e do médico, jamais uma substituta da consulta. Seus dados de saúde são valiosos e sensíveis demais para serem confiados a ferramentas que priorizam a agilidade em detrimento da segurança e da precisão técnica.

Sobre a MYME

É uma healthtech brasileira com uma plataforma gratuita que centraliza o histórico de saúde do usuário ou dependente. Reúne as informações de exames, vacinação, medicação e registros clínicos em uma linha do tempo compartilhável com cuidadores, profissionais e instituições de saúde. Fundada em 2025 pelo empreendedor em série Lucas Santiago e o engenheiro de software Gabriel Barros, a startup surge para enfrentar a fragmentação de dados médicos pessoais, com foco em segurança e continuidade dos cuidados com a saúde. Estruturada como uma Sociedade de Benefício Público (PBC), a MYME combina modelo de negócio com propósito social. Saiba mais aqui.

ASCOM: Fernanda Brabo

 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.