Autazes O discurso afiado de Omar Aziz em Autazes acende o debate sobre...

O discurso afiado de Omar Aziz em Autazes acende o debate sobre o ambientalismo de vitrine

Foto: Divulgação

A entrega da Unidade Básica de Saúde (UBS) Indígena Antônio Mota, na comunidade Murutinga, em Autazes, serviu de palco para um desabafo contundente do senador Omar Aziz (PSD).

Ao lado de Eduardo Braga (MDB) e Saullo Vianna (UB), o senador não economizou nas críticas ao que chamou de “discurso bonito para europeu”, expondo a ferida aberta entre a preservação ambiental idealizada nos grandes centros e a realidade de quem vive no interior do Amazonas.

Trabalho contra a retórica vazia

Para o senador, a construção de uma estrutura básica de saúde em uma zona rural não deveria ser vista como um evento extraordinário, mas acaba sendo devido ao que ele descreve como “fogo amigo” dentro do próprio estado.

Omar foi enfático ao separar a política de resultados da política de aparências.

“Conversa não enche barriga, o que enche barriga é trabalho e comida”, afirmou Aziz durante a cerimônia.

A fala reflete um cansaço com setores que, sob o pretexto de proteger os povos originários, acabam travando o desenvolvimento de infraestruturas vitais. Segundo ele, há uma parcela da militância que prefere manter o indígena em condições precárias apenas para sustentar uma narrativa de preservação intocada.

O abismo entre a Avenida Paulista e a Amazônia real

Um dos pontos mais críticos do discurso foi o ataque direto à elite intelectual e política de regiões como São Paulo, Rio de Janeiro e do exterior.

Aziz argumenta que a pauta amazônica é frequentemente sequestrada por quem nunca pisou na lama ou sentiu a poeira de uma comunidade isolada.

  • A crítica ao “discurso para europeu” foca na distância entre a teoria e a prática.
  • A defesa dos povos originais passa pela dignidade, o que inclui acesso a médico e saneamento.
  • A união política no palco mostra que o grupo está alinhado para as discussões nacionais sobre a Amazônia.

O senador reforçou que quem vive em Copacabana ou na Avenida Paulista tem uma visão romântica da floresta, que muitas vezes ignora as necessidades básicas de sobrevivência do amazonense.

Articulações políticas no interior

A agenda em Autazes não é um fato isolado. A parceria entre Omar Aziz e Eduardo Braga tem se intensificado em viagens pelo interior do estado, desenhando um movimento estratégico de escuta e fortalecimento de bases.

A presença de lideranças como Jesus Alves e Vanda Witoto sinaliza que o debate sobre a representatividade indígena será central nas próximas discussões eleitorais.

Mais do que uma inauguração de obra pública, o evento foi um recado claro: o Amazonas quer ser protagonista da própria história e não aceita mais que as soluções para seus problemas venham carimbadas por quem desconhece o “chão da floresta”.

ASCOM

 

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