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O silêncio de Lula e a tentativa desesperada de comprar governabilidade com bilhões do BNDES

Lula - Foto: EFE/EPA/Hannibal Hanschke

O que assistimos nesta quinta-feira (30/04) em Brasília foi um espetáculo de negação da realidade digno dos manuais de sobrevivência política mais rudimentares. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palanque para falar de caminhões e ônibus enquanto os escombros da sua articulação política ainda fumegavam no Congresso Nacional.

Ele escolheu o silêncio sobre as derrotas avassaladoras e preferiu se refugiar no velho populismo econômico do BNDES.

É aquela máxima de quem não tem o que dizer sobre o fracasso. Ele finge que o fracasso não existe e joga dinheiro no problema para ver se o público se distrai.

O fato é que o governo sofreu um nocaute técnico duplo. Primeiro com a rejeição histórica de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e logo depois com a derrubada do veto ao projeto de lei da dosimetria.

Em vez de encarar o fato de que perdeu o controle sobre o Legislativo, Lula preferiu ironizar os críticos e dizer que tem muita gente reclamando e pouca gente fazendo.

Ora, a reclamação que ele ouve não é barulho de oposição, mas o som das instituições que decidiram não aceitar mais o papel de carimbadoras de vontades palacianas.

O colapso de Jorge Messias e o peso de 1894

A rejeição de Jorge Messias pelo Senado não é apenas uma derrota comum. É um evento que nos joga de volta ao século 19. Desde que o STF foi criado há 135 anos, apenas o Marechal Floriano Peixoto tinha conseguido a proeza de ver seus indicados serem barrados pelos senadores.

Messias tentou se vitimizar ao dizer que foi alvo de uma campanha de desconstrução, mas a verdade é muito mais simples. O Senado resolveu exercer sua prerrogativa constitucional de dizer não ao aparelhamento escancarado.

Os números mostram uma realidade que o Planalto tenta ignorar com propaganda:

  • Messias obteve apenas 34 votos favoráveis entre os 81 senadores disponíveis.
  • O placar de 42 votos contrários consolidou a maior derrota institucional do atual mandato.
  • O governo afirma saber quem articulou a derrota, mas o culpado real é a própria arrogância política.

A volta do Direito e a queda do veto da dosimetria

Enquanto o presidente falava sobre exportação de manufaturados e polo petroquímico, o Congresso Nacional dava outro golpe de misericórdia na narrativa oficial. A derrubada do veto ao projeto de lei da dosimetria é a prova de que o Legislativo cansou de ser coadjuvante na vingança jurídica sobre os atos de janeiro de 2023.

O projeto que reduz as penas dos condenados foi aprovado com uma margem esmagadora tanto na Câmara quanto no Senado, provando que Lula está falando para uma bolha que não inclui mais a maioria dos parlamentares.

O placar na Câmara foi de 318 votos a 144, enquanto no Senado a vantagem foi de 49 a 24 pela derrubada do veto. Isso significa que nem a base aliada mais fiel conseguiu segurar a mão do presidente.

O governo agora enfrenta um Congresso que decidiu legislar conforme o Direito e não conforme as conveniências ideológicas do Executivo.

O jogo de cena com o programa “Move Brasil”

Para tentar mudar o assunto do dia, Lula anunciou a ampliação do programa “Move Brasil” com mais 21 bilhões de reais. É a estratégia clássica de usar o Tesouro Nacional para tentar reconquistar setores da sociedade que estão descontentes.

Ele prometeu crédito barato para caminhoneiros e donos de ônibus, tentando reeditar o clima de lua de mel com categorias que hoje são amplamente ligadas à oposição.

Os detalhes da nova linha de crédito mostram o tamanho do aporte financeiro:

  • O programa passa a contar com um total de 21 bilhões e 200 milhões de reais.
  • O Tesouro Nacional vai injetar 14 bilhões e 500 milhões de reais nesse esforço.
  • O BNDES entra com mais 6 bilhões e 700 milhões de reais em recursos próprios.
  • O financiamento agora inclui ônibus e micro ônibus além dos caminhões pesados.

O governo vive em um mundo de faz de conta

Ao dizer que vai começar o jogo e que o Brasil se tornará um polo petroquímico, Lula ignora que o jogo no mundo real já começou faz tempo e ele está perdendo de goleada.

Não adianta prometer bilhões via BNDES se a estrutura política do governo está em metástase.

O silêncio do presidente sobre as derrotas no Congresso não é prudência, mas sim uma incapacidade de lidar com a dissidência de um estamento burocrático que ele mesmo ajudou a inflar.

A realidade bateu à porta com o peso de um caminhão carregado, mas Lula preferiu continuar falando de sonhos e exportações futuras. Você entende o perigo disso?

Quando o governante se desconecta dos fatos brutos para viver em uma narrativa de palanque, o país fica à deriva enquanto o crédito fácil tenta comprar uma paz que a política já não consegue entregar.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-silencia-sobre-derrotas-e-libera-r-21-bilhoes-em-credito-para-caminhoneiros/

 

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