
A Colômbia mergulha em uma crise de segurança sem precedentes às vésperas das eleições presidenciais. A candidata de direita Paloma Valencia revelou na segunda-feira (28/04) que autoridades de alto escalão a alertaram sobre um plano arquitetado por dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para assassiná-la. O alerta partiu diretamente do ministro da Defesa, do ministro do Interior e do diretor da Polícia Nacional.
Ameaça real
A gravidade da situação ganha contornos dramáticos com os valores envolvidos no suposto crime. Segundo as informações repassadas à candidata, que ocupa o terceiro lugar nas pesquisas, um membro dissidente do Estado-Maior Central (EMC) teria recebido aproximadamente R$ 2,8 milhões para executar a parlamentar. O grupo narcoterrorista teria colocado o preço pela cabeça da sucessora política de Álvaro Uribe como resposta direta ao seu posicionamento combativo contra as guerrilhas.
Onda de violência
O cenário de instabilidade não é um fato isolado na trajetória de Valencia. O sudoeste do país vive a ofensiva rebelde mais intensa das últimas três décadas. Apenas entre sexta-feira (24/04) e domingo (26/04), atentados brutais resultaram na morte de 21 civis. Paloma Valencia agora faz parte de um grupo de três líderes nas pesquisas que relataram ameaças de morte, evidenciando que a democracia colombiana está sob cerco de grupos armados que desafiam abertamente o estado.
Falha estatal
A candidata não poupou críticas ao atual presidente Gustavo Petro. Para a oposição, o fortalecimento dessas organizações criminosas é o resultado direto do fracasso nas negociações de paz promovidas pelo governo. A estratégia governamental é acusada de ser negligente e permitir o avanço territorial de facções criminosas que usam o diálogo como escudo para o tráfico.
“A Colômbia não pode continuar com um governo que se tornou cúmplice do narcoterrorismo e que implementou essa ‘paz total’, que tem sido excelente para os criminosos e muito custosa para os colombianos”, afirmou Paloma Valencia.
Futuro incerto
A situação atual coloca em xeque a eficácia da política de “Paz Total” defendida pela atual gestão. Enquanto o governo tenta manter canais de diálogo, a realidade nas ruas e nas áreas rurais mostra grupos dissidentes cada vez mais equipados e audaciosos. O impasse nas negociações gera um vácuo de autoridade que é preenchido pelo medo, transformando o processo eleitoral em um campo de batalha onde a vida dos candidatos se tornou moeda de troca política.
A comunidade internacional observa com cautela o desenrolar desses eventos, pois a estabilidade da Colômbia é crucial para o equilíbrio geopolítico da América do Sul. O desfecho dessa crise de segurança definirá não apenas quem será o próximo presidente, mas se as instituições colombianas ainda possuem força para conter o avanço do narcoterrorismo organizado.










