
A gestão dos recursos hídricos no Amazonas vive um momento histórico com o início da fase de escuta comunitária para a elaboração do Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Tarumã-Açu. Nesta terça-feira (28/04), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) deram o pontapé inicial em uma série de oficinas participativas que prometem tirar do papel um instrumento de gestão aguardado há mais de duas décadas pela legislação estadual.
Com um investimento de R$ 2,3 milhões, o plano não é apenas um documento técnico, mas uma tentativa de organizar o uso de uma das áreas mais pressionadas pelo crescimento urbano e pelo turismo em Manaus. O desafio é equilibrar a conservação ambiental com atividades econômicas consolidadas, como o lazer e a ocupação por flutuantes.
Voz das comunidades
O primeiro encontro ocorreu na Comunidade Nova Esperança, no Igarapé Tiú, reunindo moradores e técnicos. O objetivo central desta etapa é transformar a experiência de quem vive na bacia em dados para o diagnóstico oficial. Para o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, esse diálogo é a única forma de garantir soluções eficientes.
“Esse momento de escuta é fundamental para garantir que o Plano de Bacia reflita a realidade de quem vive e utiliza esse território”, afirmou o secretário.
A ideia é que o conhecimento tradicional dos ribeirinhos complemente o rigor científico trazido pela equipe da UEA.
Cronograma das oficinas
As oficinas seguem até o dia 14 de maio e percorrerão pontos estratégicos para garantir a pluralidade de vozes na construção do diagnóstico. Confira os próximos locais de encontro
- 7 de maio: Sede da Sema Amazonas, no Parque 10 de Novembro.
- 12 de maio: Sede do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), na Avenida do Turismo.
- 14 de maio: Flutuante Sun Paradise, na Praia Dourada, Ponta Negra.
O processo completo, iniciado em julho de 2025, deve ser concluído apenas em janeiro de 2027. Até lá, o projeto passará pelas fases de prognóstico e definição de metas prioritárias, contando ainda com audiências públicas previstas para o final de 2026.
Gestão inédita e desafios
A elaboração deste plano é um marco por ser a primeira vez que o Amazonas executa um plano de gestão para uma bacia hidrográfica específica. O Rio Tarumã-Açu enfrenta problemas crônicos que o documento pretende ordenar, tais como:
- Regularização e controle de flutuantes;
- Ordenamento do turismo e lazer;
- Recuperação de áreas degradadas e fiscalização ambiental;
- Preservação da qualidade da água para as comunidades locais.
Para o reitor da UEA, André Zogahib, a universidade cumpre seu papel social ao articular o conhecimento aplicado com a realidade prática.
“São as populações ribeirinhas que vivenciam diariamente a dinâmica da bacia e conhecem seus desafios”, destacou o reitor.
Participação social
A participação nas oficinas é aberta ao público e fundamental para evitar que o plano se torne apenas uma diretriz teórica. O sucesso da governança hídrica no Tarumã-Açu depende da capacidade das instituições em mediar conflitos de uso da água e integrar os diferentes setores da sociedade em uma gestão verdadeiramente compartilhada.










