
A saúde pública brasileira enfrenta um desafio histórico que vai muito além da gestão de leitos e medicamentos. O envelhecimento populacional exige estratégias que priorizem a autonomia e a vitalidade. Nesse cenário, o projeto “Vida e Corpo”, localizado no bairro do São Raimundo, surge como um modelo de como a política de proximidade pode gerar resultados imediatos na qualidade de vida de mulheres na terceira idade.
Neste domingo, 26 de abril, o projeto recebeu um novo fôlego com a entrega de equipamentos esportivos, reforçando uma estrutura que já beneficia mais de 50 moradoras. Mais do que uma entrega de materiais, a ação levanta um debate necessário sobre onde o poder público deve colocar seus recursos para garantir um futuro sustentável para o sistema de saúde.
Esporte como prevenção
O projeto utiliza a quadra poliesportiva do bairro, espaço que passou por revitalização recente, para oferecer aulas de ginástica e aeróbica. A lógica é simples, mas poderosa: manter o corpo em movimento para evitar o surgimento de comorbidades. Ao incentivar a atividade física regular, o grupo atua diretamente na prevenção de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, que são as principais causas de internação entre idosos.
O vereador Rodrigo Guedes (Republicanos), responsável pelo suporte ao projeto via emenda parlamentar, defende que o foco governamental precisa mudar. Segundo ele, se o investimento em prevenção fosse uma prioridade real, a sociedade teria “60% menos doenças na população, menos comorbidades e menos hospitais ocupados”.
Impacto no orçamento
A visão de que saúde não se resume a hospitais e remédios encontra eco em dados globais de economia da saúde. Investir na ponta, onde a vida acontece, reduz drasticamente o custo por paciente para o Estado. Quando uma idosa participa de um grupo de ginástica, ela não apenas melhora sua condição física, mas também sua saúde mental e integração social.
Os principais benefícios observados em projetos como o “Vida e Corpo” incluem:
- Redução significativa no uso de medicamentos de uso contínuo.
- Melhora na mobilidade e redução de quedas domésticas.
- Fortalecimento da rede de apoio emocional entre as participantes.
- Menor pressão sobre as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do bairro.
Mudança de paradigma
A entrega de colchonetes e bambolês realizada neste final de semana simboliza o apoio a uma mudança de cultura. A política pública de esporte e lazer precisa deixar de ser vista como “perfumaria” para ser encarada como uma ferramenta de gestão de saúde pública.
Saúde é, antes de tudo, prevenir. O fortalecimento desses núcleos comunitários no São Raimundo é um indicativo de que a solução para a crise hospitalar pode estar, ironicamente, longe dos hospitais.
Ao investir na base, o poder público constrói uma sociedade mais resiliente e, acima de tudo, mais saudável. O desafio agora é replicar essa mentalidade em escala municipal, transformando iniciativas isoladas em uma política de estado contínua.
ASCOM: Beatriz Araújo










