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Um pai, um imóvel, duas versões. Quem está dizendo a verdade no drama de Stênio Garcia?

Stênio Garcia com as filhas Cássia e Gaya - Foto: Reprodução/Instagram

Aos 93 anos, Stênio Garcia, um dos nomes mais respeitados da dramaturgia nacional, encontra-se mergulhado em um roteiro que ele certamente preferia não protagonizar. A disputa judicial travada contra sua ex-esposa, Clarice Piovesan, e suas filhas, Cássia e Gaya, por um imóvel na Zona Sul do Rio de Janeiro, ultrapassa os limites dos tribunais e toca em feridas sociais profundas.

O caso levanta discussões urgentes sobre o direito à autonomia financeira, o abandono afetivo e a segurança patrimonial da pessoa idosa no Brasil contemporâneo.

Conflito em Ipanema

O epicentro do conflito é um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2.000.000 localizado em Ipanema.

Stênio Garcia transferiu a propriedade para as filhas, mas manteve o usufruto vitalício, um dispositivo jurídico que garante ao doador o direito de usar ou usufruir dos frutos do bem até o fim da vida.

O ator alega que o imóvel foi alugado sem seu consentimento, ferindo esse direito fundamental.

“Me incomoda, é muito delicado você ficar assim… Parece sempre que você está disputando uma posição. Eu, com 90 e tantos anos, já passei dessa faixa de interesse econômico, financeiro”, afirmou Stênio Garcia ao programa “Domingo Espetacular”.

Acusações de abandono

Enquanto o ator acusa as filhas de abandono afetivo e falta de suporte, Cássia e Gaya apresentam uma narrativa oposta.

Em entrevista à Record TV, elas afirmaram que o distanciamento foi provocado pelo próprio pai.

“Nunca abandonamos ele. Pelo contrário, o afastamento foi por parte dele”, alegou Cássia.

Essa divergência expõe a complexidade das relações familiares quando o patrimônio e a saúde entram em rota de colisão.

Mari Saade, atual esposa do ator, reforça a versão de negligência das filhas, alegando que elas nunca se importaram com as internações ou cirurgias do pai.

Crise financeira

A vulnerabilidade financeira relatada por Stênio Garcia surpreendeu o público. Desde o fim de seu contrato fixo com a TV Globo em 2020, o artista vive com uma aposentadoria de pouco mais de R$ 7.000.

Para um idoso que necessita de tratamentos contínuos e medicamentos caros, esse valor torna-se insuficiente para manter a dignidade e a qualidade de vida.

“Me incomoda vê-lo sofrer, vê-lo ter a saúde debilitada demais”, desabafou Mari Saade.

Em contrapartida, as filhas rebatem dizendo que ele é um idoso de alto poder aquisitivo e que nunca precisou de ajuda.

Atuação da OAB

Devido à gravidade das acusações e à idade do ator, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de seccional Rio de Janeiro, por meio da Comissão Especial de Atendimento à Pessoa Idosa (CEAPI), passou a acompanhar o caso.

A intervenção não visa tomar partido, mas garantir que o ordenamento jurídico e a autonomia do idoso sejam respeitados.

A presidente da CEAPI, Fátima, destacou que o acompanhamento é técnico e busca identificar possíveis violações, como coação ou desrespeito à autonomia.

Direitos e proteção

O caso de Stênio Garcia serve como um alerta para famílias e profissionais do direito. Entre os pontos cruciais destacados por especialistas para entender este cenário estão os seguintes itens.

  • A importância de registrar formalmente o usufruto vitalício para evitar locações não autorizadas por herdeiros.
  • O reconhecimento jurídico do abandono afetivo como causa de sofrimento moral para a pessoa idosa.
  • A necessidade de uma rede de apoio que valide a vontade do idoso, independentemente de sua condição financeira.
  • O papel fiscalizador de instituições como a OAB em conflitos familiares de alta exposição.

Justiça e dignidade

O desfecho desta batalha jurídica definirá mais do que a posse de um imóvel em Ipanema. Ele selará a forma como a sociedade brasileira encara seus veteranos da arte e como as leis de proteção ao idoso são aplicadas na prática.

Stênio Garcia busca não apenas a renda do aluguel para custear sua saúde, mas o reconhecimento de seu direito de escolha sobre o que construiu em décadas de carreira.

A verdade, muitas vezes, reside nos documentos reais e na veracidade dos fatos, como clamou Mari Saade em sua indignação pública.

Fonte: https://revistaquem.globo.com/noticias/noticia/2026/04/filhas-de-stenio-garcia-negam-abandono-do-pai-ator-da-outra-versao-elas-estao-mentindo.ghtml

 

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