
O combate aos crimes ambientais na Amazônia exige mais do que fiscalização rigorosa, demanda uma mudança profunda na mentalidade das comunidades locais. Entre os dias 20 e 23 de abril de 2026, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) alcançou um marco expressivo em Codajás, a 240 quilômetros de Manaus.
Segundo o balanço finalizado neste sábado, 25 de abril, 1.082 pessoas foram diretamente impactadas por ações que unem preservação e cidadania durante a 35ª Festa Cultural do Açaí.
Sob uma análise crítica, levar a educação ambiental para o centro de grandes eventos populares é uma jogada estratégica de gestão pública.
Em períodos de festa, a circulação de resíduos e o risco de práticas predatórias aumentam, tornando o diálogo direto com estudantes, feirantes e turistas a ferramenta de prevenção mais eficaz para a saúde do ecossistema local.
Expansão e resultados
O modelo de atuação do Ipaam vem sofrendo uma metamorfose positiva, focando na presença constante no interior e não apenas em ações sazonais na capital.
Os números de 2025 já indicavam essa tendência, com um salto de 156% no alcance das atividades educativas em comparação ao ano anterior.
- Engajamento de 1.082 participantes em apenas quatro dias de mobilização.
- Foco educativo em escolas municipais e estaduais para formar novos multiplicadores.
- Orientação direta a feirantes e empreendedores sobre o manejo sustentável.
- Presença estratégica na Festa Cultural do Açaí para aproveitar o fluxo turístico.
“Educar é transformar. Quando levamos informação às crianças, aos adolescentes e às famílias, estamos construindo uma consciência ambiental que permanece e se multiplica”, destacou o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço.
Integração nas comunidades
A eficácia do trabalho realizado em Codajás reside na diversidade dos pontos de contato. O Ipaam não ficou restrito ao gabinete; percorreu o Centro de Educação de Tempo Integral (Ceti) José de Araújo Rodrigues e outras escolas fundamentais como a Maria Braga e Aldemar Maia.
Essa imersão escolar é vital, pois a criança educada ambientalmente se torna o maior fiscal dentro de casa.
Além das salas de aula, a parceria com o Sebrae em workshops para empreendedores locais mostra que a sustentabilidade pode e deve caminhar junto com a economia.
Aprender a reciclar e a evitar queimadas não é apenas uma obrigação legal, mas um diferencial competitivo para o pequeno comerciante que depende da floresta viva para prosperar.
Futuro sustentável
A imparcialidade na análise dessas políticas públicas exige reconhecer que a proteção da Amazônia é um esforço coletivo. A mobilização em Codajás, apoiada pela prefeitura local, demonstra que o Estado está conseguindo descentralizar a informação.
O desafio agora é manter esse ritmo de crescimento, garantindo que o conhecimento técnico sobre a proteção dos recursos naturais não seja apenas um evento passageiro, mas um hábito consolidado no cotidiano da população amazonense.
A proteção da floresta começa no entendimento de que cada cidadão é um agente direto de preservação. Com o encerramento desta etapa, o Ipaam reafirma que a orientação é o primeiro passo para uma fiscalização menos punitiva e muito mais consciente.










