Iranduba ‘Gelo Caboclo’ transforma a vida de pescadores e impulsiona a bioeconomia no...

‘Gelo Caboclo’ transforma a vida de pescadores e impulsiona a bioeconomia no Rio Negro

Foto: Divulgação

Uma solução inovadora, baseada em energia solar e desenvolvida a partir de uma demanda da própria comunidade, começa a transformar a realidade de pescadores e empreendedores na comunidade Santa Helena do Inglês.

Localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, no município de Iranduba, a iniciativa permite a produção local de gelo, reduzindo custos logísticos, evitando desperdícios e fortalecendo a economia da região. Antes do projeto, o deslocamento até Manaus para adquirir o insumo gerava gastos altos com combustível e tempo de viagem.

Fim do desperdício

Antes do projeto ‘Gelo Caboclo’, o investimento dos pescadores era comprometido antes mesmo da comercialização do pescado. Demétrio Júnior, comunitário e empreendedor da fábrica, explica que o pescador perdia até dois dias no deslocamento para a cidade.

“Muitas vezes, o gelo começava a derreter no trajeto e, se ele não conseguisse pescar, o investimento de R$ 800 a R$ 1.200 era perdido”, afirma Demétrio Júnior.

Com a produção local, os moradores podem capturar o peixe primeiro e só depois comprar o gelo necessário.

 

Produção sustentável

A fábrica opera com água de poço artesiano exclusivo e energia gerada por uma usina solar dedicada, garantindo autonomia. A capacidade média de produção é de cerca de uma tonelada de gelo por dia. A estrutura também conta com câmara fria e espaço de armazenamento para atender períodos de maior atividade pesqueira.

O projeto é executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) com apoio da Positivo Tecnologia, por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), política da Suframa coordenada pelo Idesam, além das parcerias da UCB Power e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema/AM).

Novas perspectivas

O líder comunitário Nelson Brito destaca que o projeto abre oportunidades que vão além da pesca, alcançando a agricultura familiar e o turismo.

“A gente já pensa em avançar, futuramente armazenando também o peixe, para dar continuidade ao empreendimento”, afirma Nelson Brito.

Além disso, barcos turísticos que circulam pela região agora compram o gelo diretamente na comunidade, gerando renda local e evitando viagens longas para abastecimento.

Impacto social

Atualmente, duas pessoas atuam diretamente na operação, mas os benefícios alcançam mais de 200 famílias, totalizando cerca de 600 pessoas ligadas à pesca e ao comércio. Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS, ressalta que o diferencial está no protagonismo local.

“Ele nasce de uma demanda da própria comunidade e só se sustenta com compromisso e continuidade”, afirma Valcléia Lima.

A iniciativa contribui diretamente para a descarbonização da Amazônia ao utilizar energia renovável.

Gestão e inovação

Para garantir a viabilidade do negócio, a FAS oferece educação financeira e mentorias de gestão. Wildney Mourão, gerente do programa de empreendedorismo da FAS, destaca que os impactos na redução de custos já são visíveis e fortalecem a bioeconomia. Karol Barbosa, gestora de projetos do PPBio no Idesam, reforça que a inovação precisa melhorar a vida das pessoas.

“A bioeconomia vem justamente para fortalecer essas soluções e melhorar a vida de todos”, afirma Karol Barbosa.

Tecnologia aplicada

O projeto mostra o potencial da tecnologia em contextos reais da floresta. Thiago Mendes Boutin, Líder Técnico de PD&I da Positivo Tecnologia, expressa orgulho em participar da ação.

“É muito gratificante acompanhar as melhorias que estão sendo geradas na comunidade”, afirma Thiago Mendes Boutin.

Com foco no jaraqui, espécie fundamental para a renda regional, o ‘Gelo Caboclo’ prova que soluções pensadas a partir da realidade local reduzem perdas e geram riqueza sustentável.

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