Infraestrutura Escolas históricas de Manaus agora esperam que a tecnologia salve o que...

Escolas históricas de Manaus agora esperam que a tecnologia salve o que o tempo esqueceu

Colégio Estadual Dom Pedro II - Foto: Carol Heinrichs/ DICOM TCE-AM

É quase poético ver que foi preciso o Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) criar um aplicativo para descobrir que o telhado de uma escola de 157 anos está caindo. Nesta sexta-feira (17), a ‘Blitz TCE’ resolveu visitar o Colégio Estadual Dom Pedro II e a Escola Estadual Nilo Peçanha, transformando o descaso estrutural em evento oficial.

A iniciativa da conselheira-presidente Yara Amazônia Lins tenta dar um “choque de realidade” na gestão pública, mas o que se viu foi o retrato de um patrimônio que sobrevive por teimosia, enquanto os recursos parecem ter ficado perdidos em algum relatório de papel do século passado.

Telhados e promessas

No Colégio Dom Pedro II, a situação é digna de um roteiro de drama antigo. O prédio original está em “tratativas” para restauração, um termo elegante para dizer que o papel ainda está circulando pelas mesas enquanto a chuva não pede licença para entrar.

O diretor Anselmo Neto já avisou que o telhado é o ponto crítico. É curioso pensar que em pleno 2026 a gente ainda precise de uma força-tarefa coordenada por Sérgio Fontes, na Secretaria-Geral de Inteligência (SGI), para confirmar que goteira em prédio histórico não é item de decoração.

Amor ou orçamento

O chefe do Departamento de Pesquisa, Memória e Documentação (DEPEND), Júlio Antônio Lopes, soltou uma daquelas frases que ficam ótimas em placa de inauguração.

“Essas ações têm o objetivo de preservar a nossa história, a nossa cultura, porque a gente só preserva e só cuida daquilo que a gente ama”, afirmou Júlio Antônio Lopes, durante a vistoria.

O problema é que o amor à cultura não paga o restauro de segurança que os imóveis exigem. Entre amar a história e liberar a verba para a manutenção preventiva, a administração pública amazonense parece estar vivendo um relacionamento complicado.

Fiscalização hi-tech

A grande estrela do dia, porém, não foram os vitrais ou os arcos centenários, mas o aplicativo “Em Campo”. Pela primeira vez, os técnicos usaram a ferramenta para coletar dados sem internet e gerar relatórios automáticos.

É o Tribunal de Contas entrando na era digital para fiscalizar o que sobrou da era imperial. A modernização do controle externo é louvável, mas fica a ironia. Temos a tecnologia mais avançada do estado para documentar que a madeira do telhado está apodrecendo. Resta saber se o relatório automático vai gerar uma obra automática ou se vai apenas digitalizar a espera.

Raio-X da blitz

  • Estreia do aplicativo “Em Campo” para agilizar os relatórios de fiscalização
  • Colégio Dom Pedro II aguarda início de obras nas áreas mais sensíveis
  • Escola Nilo Peçanha apresenta demandas urgentes de manutenção estrutural
  • Foco na preservação da memória coletiva e segurança dos alunos

Eficiência no papel

A ação do TCE-AM cumpre seu papel de aproximar o órgão da realidade, mas expõe a ferida aberta da falta de conservação contínua. A fiscalização in loco é o remédio para uma gestão que, muitas vezes, esquece que prédios históricos não são apenas cenário de foto antiga, mas locais de aprendizado ativo.

Se o uso da inteligência e da tecnologia realmente induzir melhorias, talvez o próximo relatório do “Em Campo” não precise ser sobre riscos de desabamento, mas sobre a entrega de uma memória devidamente restaurada para a população de Manaus.

Fonte: ASCOM

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.