Cultura Espetáculo “Asé Ori” promove mergulho na ancestralidade e cultura afropandinas em Manaus

Espetáculo “Asé Ori” promove mergulho na ancestralidade e cultura afropandinas em Manaus

Foto: Elewa Pitaguary

A multiartista e pesquisadora amazonense ISIS de Manaus apresenta a primeira mostra do projeto “Asé Ori” no dia 24 de abril. O evento acontece às 19h na Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com entrada gratuita. A performance inclui intérprete de Libras e será seguida por uma roda de conversa entre a equipe artística e o público sobre os processos de investigação cênica.

A obra é fruto de uma pesquisa de iniciação científica (PIBIQ/CNPq) vinculada ao bacharelado em Teatro da UEA. Intitulada “Território, ancestralidade e artes cênicas na construção de identidade a partir da criação cênica Asé Ori”, a investigação utiliza o palco para compreender a formação da identidade cultural da artista.

Conexão entre Amazonas e Bahia

O projeto marca a estreia profissional de ISIS de Manaus no teatro e sintetiza a experiência de dois intercâmbios realizados em Salvador (2024 e 2025). Na capital baiana, a artista estudou danças dos orixás e dança afro na Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), vivência que representou um reencontro afetivo com suas raízes.

“Fiquei mais de 20 anos sem ir a Salvador, onde vivi minha primeira infância. Lá tenho familiares paternos. Foi uma reconexão com raízes, lugares, comidas, afetos. E também a criação de novas relações, como adulta, conhecendo artistas, bares e festas”, explicou ISIS de Manaus.

Encruzilhada cultural e estética

A pesquisa introduz o conceito de “Encruzilhada entre Norte e Nordeste”, um diálogo entre as culturas amazônica e baiana. A estética do espetáculo une elementos tradicionais do candomblé com ícones da cultura periférica contemporânea.

Os principais pilares dessa construção visual são:

  • Neoregionalismo: Termo usado por artistas amazônicos para representar a região de forma não estereotipada.
  • Afrofuturismo: Mistura de elementos da cultura afrodiaspórica com tecnologia e linguagens modernas.
  • Cultura periférica: Uso de acessórios como óculos, bonés e a sandália Kenner integrados aos trajes dos orixás.
  • Foto-performance: Registros multimídia realizados em parceria com a fotógrafa Elewa Pitaguary, unindo ícones de Oxóssi e Oxum à estética urbana.

“Essa construção estética, que traz a minha linguagem, une o tradicional dos orixás com os elementos utilizados pela juventude da periferia”, pontua a artista, ressaltando que o espetáculo é uma obra autobiográfica que celebra sua trajetória, sua mãe e sua espiritualidade.

Agenda de ensaios abertos

Além da estreia na UEA, o projeto terá uma segunda apresentação no dia 27 de abril . Desta vez, o ensaio aberto ocorrerá na Escola Estadual Sebastião Filho Loureiro, a partir das 15h. A sessão terá duração de 40 minutos e também contará com acessibilidade em Libras para os estudantes e a comunidade.

Equipe e parcerias

O projeto é uma realização da ‘Pedra de Fogo Produções’. A codireção é assinada por ISIS de Manaus e pela Correnteza Braba, com preparação corporal de Andira Angeli e produção geral de Regina de Benguela.

A iniciativa conta com o apoio das seguintes instituições:

  • Grupo TEU e Instituto de Pesquisa Tabihuni
  • Café Preto Produções Artísticas
  • Universidade do Estado do Amazonas (UEA)
  • Governo Federal e Ministério da Cultura
  • Prefeitura de Manaus e Concultura Manaus
  • Governo do Estado do Amazonas e Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

O projeto foi viabilizado por meio do edital “Bolsas Culturais Manaus” e pelo “Macro de Chamamento Público N°002/2024”, via Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

ASCOM: Karine Pantoja

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