
A moda autoral brasileira ganha um novo fôlego com a expansão da “Souedo” pelo eixo Rio–São Paulo. Fundada em 2024 em Manaus, a marca surge como um experimento artístico que utiliza o vestir como linguagem.
O diretor criativo Daniel Azevedo propõe um conceito que vai muito além do design de roupas convencional, criando o que ele chama de “antologias vestíveis”, onde cada peça carrega a profundidade de uma narrativa visual.
Neste novo momento a marca leva para o centro do mercado nacional uma estética que brota na Amazônia, mas dialoga com repertórios globais.
“A Amazônia não aparece na Souedo como um elemento folclórico ou decorativo. Ela é uma atmosfera, uma forma de pensar o tempo, a matéria e o corpo”, afirma Daniel Azevedo, sócio da marca.
Da imagem para o tecido
A trajetória da marca começou antes mesmo da primeira costura. Natural de Manaus, Daniel Azevedo construiu sua base na fotografia analógica e nas artes visuais. Em 2024, ele realizou a primeira exposição de fotografia analógica da capital amazonense, focando em temas como ancestralidade e a passagem do tempo. Foi nesse contexto que a “Souedo” tomou forma, quando as imagens expostas foram transformadas em estampas exclusivas.
- O tecido passa a ser um suporte para a imagem e a memória.
- A roupa funciona como uma continuação da fotografia em movimento.
- A narrativa visual deixa as paredes das galerias e ganha as ruas.
Mitos e matérias primas
A primeira coleção, batizada de “Criptídeos”, mergulha no hibridismo entre o real e o imaginário. Inspirada em mitologias aquáticas e histórias orais da Amazônia, as peças exploram figuras de metamorfose, como a sereia.
Para materializar esse universo, a marca utiliza elementos profundamente ligados ao território amazônico.
- Uso do tururi, fibra natural trabalhada por comunidades indígenas Ticuna.
- Valorização de saberes ancestrais da palmeira ubuçu.
- Silhuetas e texturas que evocam a fluidez da água e a organicidade da floresta.
Novo capítulo em São Paulo
Atualmente radicado em São Paulo, o criador vê o movimento como uma forma de inserir a marca em um diálogo cultural mais amplo. O objetivo é aproximar o projeto de galerias e espaços criativos onde a arte contemporânea e a fotografia convivem de maneira orgânica.
“Não estamos interessados em vender peças no sentido tradicional”, conclui Daniel.
A proposta da “Souedo” é construir valor cultural e simbólico. Quando alguém veste uma peça da marca e sente que ela carrega uma história viva, o propósito da criação é plenamente atingido.
Sobre a marca
A “Souedo” é um ecossistema artístico que integra vestuário, fotografia e performance. Fundada em 2024, a marca amazonense se destaca por não seguir tendências passageiras, focando em capítulos visuais de identidade e pertencimento. Ao unir a estética da fotografia analógica ao uso ético de fibras naturais como o tururi, a marca reforça seu compromisso com a preservação cultural e a moda consciente.
ASCOM: Agência Marupi









