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Mais que concreto, parque na zona Leste resgata identidade e aposta no futuro turístico de Manaus

Foto: Juan Sullivan / Semcom

Há uma inteligência profunda quando a arquitetura decide parar de brigar com a paisagem e passa a reverenciá-la. O que a Prefeitura de Manaus executa no bairro Colônia Antônio Aleixo não é apenas o levantamento de paredes, mas o resgate de uma promessa civilizacional.

O parque Encontro das águas Rosa Almeida surge como uma bofetada na face do imobilismo burocrático que, por quase duas décadas, manteve o traço de Oscar Niemeyer apenas no papel. Ao transpor a cúpula da oca da abstração para o concreto, a gestão municipal reconhece que o patrimônio de um povo é, antes de tudo, a sua capacidade de contemplar a própria grandeza.

Engenharia e desafio

A complexidade técnica desta obra na zona Leste exige um olhar atento para o que está escondido sob o solo. O uso do jet grouting para a estabilização do talude não é um detalhe menor, é o que garante que a estrutura não seja devorada pela erosão das margens.

Com 82% de execução total, as frentes de trabalho concentram esforços agora na montagem da cúpula da oca e nas instalações do restaurante. A engenharia aqui serve à estética, permitindo que a alvenaria estrutural suporte o peso de um projeto que simboliza o abraço entre o Rio Negro e o Rio Solimões.

Canteiro de obras

As frentes de trabalho avançam com números que mostram a proximidade da entrega final. Enquanto os quiosques atingem 97% de conclusão e a área administrativa chega aos 90%, operários finalizam a pavimentação de calçadas e a drenagem do entorno.

Trata-se de um esforço monumental de infraestrutura urbana:

  • Estabilização do talude com contenção em 98%.
  • Montagem das paredes da entrada e cúpula da oca.
  • Serviços de impermeabilização e tratamento de muros.
  • Instalações hidrossanitárias em estágio avançado.

“Esse será o maior parque turístico de Manaus, um polo de incentivo à cultura e ao turismo”, afirmou Antonio Peixoto, diretor-presidente do Implurb.

A fala de Peixoto não é mero otimismo administrativo, é a constatação de que o turismo de contemplação precisa de suporte físico de qualidade para florescer. O projeto original foi atualizado para as demandas de acessibilidade e integração ambiental do século 21, transformando os 120 mil metros quadrados em um complexo que reúne trilhas, academia ao ar livre e até playpet.

Legado de Niemeyer

O encontro das águas é um espetáculo que independe do homem, mas a forma como o assistimos define o nosso nível de sofisticação cultural. Ao investir em um espaço que une restaurante, espaços multiuso e uma vista privilegiada, Manaus finalmente constrói uma moldura à altura do quadro que a natureza pintou. O parque Rosa Almeida caminha para ser mais que um cartão-postal, será o símbolo de uma capital que aprendeu a valorizar sua identidade amazônica através da modernidade urbana.

ASCOM: Claudia do Valle / Implurb

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