
O avanço do período chuvoso no Amazonas trouxe consigo um cenário já conhecido, mas que ainda desafia o sistema de saúde pública e a conscientização coletiva. Nesta segunda-feira 06/04, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) acendeu o sinal amarelo para a circulação de vírus como o Sincicial Respiratório (VSR), Covid-19 e Influenza.
O balanço de 2026 revela que, apesar das campanhas, os extremos de idade continuam sendo o alvo principal de internações, o que levanta um questionamento crítico sobre a cobertura vacinal e os cuidados básicos no dia a dia amazonense.
Alerta para crianças e idosos
Os dados mais recentes da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) são claros ao apontar que a maior procura por atendimento ocorre entre idosos e crianças menores de 4 anos. O “perfil das últimas semanas mostra que os pequenos de até 4 anos representam 36,3% dos casos confirmados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)”, conforme destacou a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim.
Essa concentração não é apenas um dado estatístico, mas um reflexo da vulnerabilidade biológica aliada, muitas vezes, à falta de atualização vacinal. Os sintomas que antes eram vistos como um “resfriado comum” agora exigem monitoramento rigoroso:
- Febre persistente e tosse seca ou com secreção.
- Desconforto respiratório (falta de ar ou cansaço excessivo).
- Ocorrência de diarreia, especialmente no público infantil.
- Necessidade de busca imediata por unidades de saúde na persistência dos sinais.
Raio X dos vírus no estado
A análise técnica realizada pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (LACEN-AM) aponta que o Rinovírus lidera as identificações com 30,6%, seguido de perto pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) com 29,3%. Até o momento, em 2026, o Amazonas já notificou 1.609 casos de SRAG, com 554 confirmações para vírus respiratórios e dois óbitos registrados por Influenza A.
A existência de óbitos por Influenza A em pleno 2026 é um ponto que merece uma análise imparcial e dura. Se temos a vacina disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), por que as mortes ainda ocorrem? A resposta passa pela hesitação vacinal e pela falsa sensação de segurança de quem acredita que as doenças respiratórias ficaram no passado.
Vacinação é a barreira necessária
O diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, reforça que as ferramentas de proteção estão disponíveis em todos os postos de saúde, mas a adesão precisa subir. A estratégia atual do estado foca em públicos específicos para frear o agravamento dos casos:
- Gestantes: Vacina contra o vírus sincicial respiratório disponível.
- Prematuros: Uso do nirsevimabe para proteção direta.
- Público geral prioritário: Vacinas contra Influenza e Covid-19 atualizadas.
- Higiene: Retorno ao hábito rigoroso de lavar as mãos e usar álcool em gel.
Transparência e responsabilidade coletiva
A atualização constante do Painel Epidemiológico no site da FVS-RCP permite que a sociedade acompanhe a evolução real dos casos. No entanto, a informação sem ação não reduz internações. A crítica que fica é para a negligência individual que sobrecarrega as unidades de saúde em Manaus e no interior. Manter o cartão de vacina em dia e respeitar o isolamento ao apresentar sintomas não é apenas uma recomendação de governo, é um ato de cidadania para evitar que os números de 2026 continuem subindo.










