Trocando em Miúdos Risco de judicialização da BR-319 continua vivo, apesar do ufanismo de Renan

Risco de judicialização da BR-319 continua vivo, apesar do ufanismo de Renan

Mesmo com o avanço anunciado pelo ministro Renan Filho, a pavimentação do “Trecho do Meio” da BR-319 segue sujeito a questionamentos judiciais.

Segundo especialistas, o Ministério Público Federal (MPF) acompanha o caso e pode contestar etapas do processo se identificar falhas no cumprimento das exigências ambientais.

Historicamente, tentativas de reconstrução da BR-319 foram interrompidas justamente por decisões judiciais ou pela ausência de licenças adequadas.

Passo à frente, mas longe de conclusão

O lançamento do edital de Renan representa uma inflexão importante após mais de 20 anos de tentativas frustradas.

No entanto, o futuro da BR-319 ainda depende de uma equação complexa que envolve o cumprimento rigoroso do licenciamento ambiental, uma grande articulação política regional e segurança jurídica para execução das obras.

A rodovia segue como símbolo de um dilema maior: como conciliar desenvolvimento e preservação na Amazônia.

Avanço não encerra impasse jurídico

O anúncio do ministro Renan Filho sobre o lançamento do edital para pavimentação de um trecho da BR-319 representa o avanço mais concreto dos últimos anos.

Mas a medida não resolve o impasse jurídico iniciado com o TAC firmado em 2007 entre Ibama e DNIT, que exige licenciamento ambiental completo e EIA/RIMA para o “Trecho do Meio”.

“Vão ignorar a legislação e tocar a obra sem Licença de Instalação e sem o Plano Básico Ambiental? ou estamos diante de mais um capítulo de promessas que nunca saem do papel?”, indagou André Marsílio em postagem no grupo “Na Guerra Pela BR-319”, no Whatsapp.

Senado pressiona por destravamento

Durante manifestações na Rede Tiradentes, os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga reforçaram a importância estratégica da BR-319 para a integração da Amazônia.

Ambos defenderam o asfaltamento como essencial para reduzir o isolamento logístico do estado e cobraram celeridade nos processos que envolvem a obra.

Máquinas na estrada a partir de maio

De acordo com Eduardo Braga, as máquinas roncarão na rodovia federal a partir de maio e mais de $2 bilhões de reais serão investidos nos próximos três anos.

Conforme o senador, os investimentos garantirão que 54 pontes de madeira sejam substituídas por pontes de concreto na BR-319.

Licenciamento segue como ponto central

Apesar do discurso político favorável, o licenciamento ambiental prossegue como o principal fator condicionante para tudo dar certo na BR-319.

O TAC de 2007 estabelece que qualquer intervenção no trecho central depende da aprovação do Ibama, com base em estudos aprofundados de impacto ambiental, especialmente devido à sensibilidade da região, que abriga áreas preservadas e populações indígenas.

Governo tenta equilibrar pressão

Na opinião de parlamentares ouvidos pela coluna, a iniciativa do governo Lula sinaliza uma tentativa de responder à pressão política do Estado do Amazonas sem romper com os compromissos ambientais.

A condução do processo envolve também o Ministério do Meio Ambiente, liderado por Marina Silva, que sempre é rigorosa com relação a BR-319.

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