
O cenário político asiático testemunha uma reviravolta histórica com a recente operação policial em Katmandu. Horas depois da posse do líder mais jovem da história do país, as autoridades detiveram figuras centrais da antiga gestão por crimes relacionados à violência estatal. A ação sinaliza um esforço para punir os responsáveis pelo uso desmedido da força contra civis.
Prisões marcam novo ciclo
O antigo primeiro-ministro Khadga Prasad Sharma Oli foi levado sob custódia em sua própria residência na madrugada de sábado. Junto com ele, o antigo ministro do Interior Ramesh Lekhak também recebeu voz de prisão. Ambos enfrentam acusações graves relacionadas à morte de dezenas de pessoas durante confrontos violentos que marcaram o cenário nacional no ano passado.
O atual ministro do Interior Sudan Gurung utilizou as redes sociais para oficializar o ato de captura.
“Ninguém está acima da lei. Tomámos sob controlo o antigo primeiro-ministro KP Sharma Oli e o antigo ministro do Interior Ramesh Lekhak”, declarou Gurung em sua página oficial.
O governante enfatizou que a medida busca estabelecer um padrão de responsabilidade para os detentores de cargos públicos.
As cicatrizes da violência
A crise que culminou nessas prisões teve origem em setembro do ano passado. Naquela época, uma onda de manifestações tomou as ruas contra a corrupção e a má gestão pública. A resposta do Estado sob o comando de Oli foi implacável e resultou em um rastro de destruição.
- Setenta e seis pessoas perderam a vida nos confrontos.
- Pelo menos 2300 indivíduos ficaram feridos nas ações policiais.
- Prédios da presidência e do governo foram incendiados por multidões.
- Esquadras de polícia e casas de políticos foram alvos de ataques.
Uma comissão de investigação independente exigiu penas que podem chegar a 10 anos de reclusão para Oli e Lekhak. A acusação sustenta que o ex-ministro ordenou pessoalmente que as autoridades disparassem contra os manifestantes.
Força da juventude
A vitória esmagadora do Partido Rastriya Swatantra (PRS) nas eleições parlamentares reflete o desejo de renovação da sociedade nepalesa. O novo chefe de governo Balendra Shah era conhecido anteriormente como rapper e se tornou o símbolo do movimento “Geração Z”. Esse grupo de jovens ativistas foi o grande motor das mudanças que forçaram inclusive a nomeação temporária de Sushila Karki. Ela é uma juíza reformada do Supremo Tribunal (ST) e atuou como a primeira mulher a liderar o Nepal durante a transição eleitoral.
A promessa de Shah e sua equipe é garantir que os direitos fundamentais sejam respeitados e que a impunidade deixe de ser a regra no país.
“Isto não é uma vingança contra ninguém, é apenas o início da justiça. Acredito que agora o país vai tomar um novo rumo”, afirmou Sudan Gurung ao comentar o impacto das detenções para o futuro democrático da nação.










