
Os principais desafios enfrentados pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) no Amazonas ganharam destaque nesta quinta-feira (5/3). Durante o Encontro de Lideranças e Organizações participantes dos programas da companhia, realizado no auditório Belarmino Lins da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o deputado estadual Sinésio Campos (PT) cobrou medidas do governo federal para ampliar o alcance das políticas de apoio ao produtor rural.
O evento reuniu um público diverso, incluindo representantes de órgãos públicos, pescadores, lideranças indígenas e gestores municipais. O foco central foi o fortalecimento de iniciativas estratégicas como o Programa de Venda em Balcão (ProVB) e as ações de compra direta da agricultura familiar.
Gargalos no interior
Apesar da importância dos programas existentes, o parlamentar ressaltou que muitos benefícios ainda não chegam de forma efetiva às comunidades mais distantes. Sinésio destacou que o combate à fome e a geração de renda dependem diretamente da ampliação de recursos para itens essenciais da cesta básica regional.
“Precisamos ampliar os recursos para a compra direta de alimentos como pescado, arroz e farinha de mandioca, que são fundamentais para combater a fome e garantir renda para os produtores do nosso estado”, afirmou Sinésio Campos.
Desafios logísticos
A realidade geográfica do Amazonas impõe barreiras que dificultam a execução das políticas públicas. Durante o encontro, foram listados pontos cruciais que travam o avanço do abastecimento no estado.
- Logística complexa: a dependência quase exclusiva do transporte fluvial e as dimensões continentais do estado encarecem o processo.
- Equipe técnica: existe uma necessidade urgente de aumentar o número de técnicos para atender a demanda crescente dos municípios por parcerias.
- Segurança alimentar: o impacto da CONAB é vital para comunidades vulneráveis, incluindo o apoio direto ao povo Yanomami em áreas de difícil acesso no norte do estado.
Impacto na produção
Os números de 2024 revelam a potência do setor, mas também o tamanho da demanda. Apenas na compra de farinha de mandioca, foram investidos R$ 12,7 milhões, beneficiando mais de 162 mil famílias amazonenses. Para quem está na ponta do processo, como o agricultor José Raimundo da Silva, de Manacapuru (distante 68 quilômetros de Manaus), a presença da companhia traz estabilidade.
“Quando a CONAB compra da agricultura familiar, a gente tem mais segurança para produzir. Sabemos que o alimento vai chegar para quem precisa”, afirmou o produtor rural José Raimundo da Silva.
Fortalecimento de parcerias
O diretor de Operações e Abastecimento da CONAB nacional, Arnoldo Anacleto de Campos, reconheceu que o Amazonas possui particularidades sociais e logísticas que exigem sensibilidade. A superintendente regional, Luiza Francisca Gomes de Moura, reforçou que o diálogo com associações e prefeituras é o caminho para ampliar essa rede.
Atualmente, municípios como Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Manacapuru e Careiro já possuem Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com a companhia. O objetivo agora é atrair novas cidades para garantir que o apoio ao pequeno produtor seja uma realidade em todo o território amazonense.
Fique por dentro
A atuação da CONAB no Amazonas vai além do simples comércio de grãos. Ela funciona como um regulador de preços e garantidor de mercado para o pequeno produtor, especialmente em tempos de vazante severa ou dificuldades econômicas. A ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do ProVB é considerada essencial pelas lideranças locais para evitar o êxodo rural e garantir que a produção regional, como a farinha e o peixe, chegue à mesa de quem mais precisa com preços justos.
ASCOM: Ytallo Byancco










