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Entre contas eleitorais, sonho de Senado e a velha arte de não sair da cadeira, começa o xadrez de 2026

Nas eleições proporcionais deste ano de 2026 o eleitor votará em um candidato, mas quem decidirá muita coisa mesmo será a calculadora.

No Amazonas, com oito vagas para deputado federal e 24 para estadual, o tal do quociente eleitoral é quem define o preço da cadeira. Num cenário de 2 milhões de votos válidos, cada vaga federal custaria cerca de 250 mil votos.

Ou seja, não bastará popularidade. Será preciso entrar na matemática do velho sistema.

O fim do “puxador milagroso”

Houve um tempo no Brasil em que um campeão de votos carregava meio partido nas costas. Hoje a lei exige que cada candidato faça pelo menos 10% do quociente eleitoral.

Em números hipotéticos, seriam 25 mil votos para federal e pouco mais de 8 mil para estadual.

Sem isso, o candidato pode ter partido forte, torcida organizada e até santinho bonito, mas fica fora da festa.

A repescagem eleitoral

Quando as vagas não são preenchidas na primeira rodada de contas, entram em cena as famosas “sobras”.

Só que a regra ficou mais dura. O partido precisa alcançar 80% do quociente e o candidato, 20%. Em outras palavras, até a repescagem exige musculatura eleitoral. A matemática virou guardiã das cadeiras.

Nem tudo está perdido. Será?

Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal – STF
em Brasília (DF). Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu uma flexibilizada na chamada “sobra das sobras”. Se ninguém alcançar os índices exigidos, as vagas restantes podem ir para as maiores médias partidárias.

No entanto, uma coisa continua sagrada. O candidato precisa atingir pelo menos 10% do quociente eleitoral. Moral da história, na política amazonense, voto ainda é essencial, mas saber fazer conta ajuda muito.

Cidade de olho no Senado

Deputado estadual Roberto Cidade – Foto: Artur Gomes

De repente, começa a ganhar corpo a hipótese de o deputado estadual Roberto Cidade (UB) trocar a rota inicialmente traçada para a Câmara Federal por uma disputa bem mais ambiciosa, o Senado Federal.

A mudança de cenário surgiu depois dos sinais de que o governador Wilson Lima deve permanecer no cargo, deixando o caminho livre na corrida senatorial.

Aliados dizem que pesquisas internas animaram o grupo político de Cidade, que foi o deputado estadual mais votado da história da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em 2022 e mantém boa presença eleitoral tanto em Manaus quanto no interior.

Publicamente, o parlamentar adota cautela e repete o mantra clássico da política, “a decisão será do grupo”. Nos bastidores, porém, a leitura é simples. Quando o cenário muda, a estratégia também.

Palanque seletivo de Péricles

Nos bastidores da política amazonense, a ausência do deputado estadual Delegado Péricles em um recente evento do Partido Liberal (PL) em Manaus virou assunto mais comentado do que discurso em palanque.

O ato reunia nomes como Maria do Carmo Seffair, ungida como pré-candidata ao governo do Estado, e Alfredo Nascimento, escalado para tentar a Câmara Federal. Mas Péricles preferiu prestigiar a própria agenda.

Visivelmente afinado com o governador Wilson Lima, Péricles pode dividir mais ainda a direita liberal e aproveitar a abertura da janela partidária para trocar de legenda.

Tadeu fica onde está

O vice-governador Tadeu de Souza resolveu acabar com o suspense que andava circulando pelos corredores do poder.

Sem rodeios, ele disse que não renunciará ao cargo e muito menos disputará eleição que exija desincompatibilização.

Pelo visto, Tadeu não pretende sair do lugar, pelo menos por enquanto. E, no atual xadrez político do Amazonas, permanecer parado também pode ser um movimento.

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