
Por Estagiário De Lara
A novela envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou mais um capítulo digno de roteiro de cinema nesta quarta-feira, 4 de março. O banqueiro foi preso preventivamente na Operação Compliance Zero da Polícia Federal, por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
O motivo é quase poético no submundo corporativo. O empresário é acusado de liderar uma estrutura criminosa que incluía até uma milícia particular para ameaçar jornalistas e adversários.
Agora a batata quente vai para o plenário virtual da segunda turma da Corte com julgamento marcado para o dia 13 de março.
E adivinha quem compõe essa mesa ilustre? Ninguém menos que os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli. É a ironia servida em prato frio para o pagador de impostos que acompanha o noticiário policial.
Amizades de milhões
Para quem tem memória curta vale o refresco. Toffoli era o relator original do caso Banco Master e só largou o osso em fevereiro após uma leve pressão dos colegas. O motivo da saia justa foi a descoberta de mensagens amigáveis entre ele e Vorcaro no celular apreendido do banqueiro. Como se não bastasse a intimidade digital, a família do magistrado fez negócios milionários com fundos ligados ao empresário envolvendo o resort Tayayá.
Como a regra do jogo em Brasília desafia a lógica do cidadão comum, Toffoli não se declarou suspeito para a votação na segunda turma. Ou seja, o ex-relator que saiu pela porta dos fundos do processo pode entrar pela janela virtual para decidir se o amigo de mensagens fica ou não atrás das grades. Um verdadeiro espetáculo de imparcialidade que só a nossa jurisprudência proporciona.
Estrutura de milícia
O que as autoridades descobriram no celular do banqueiro faz inveja aos vilões de ficção. A organização era dividida em quatro núcleos com destaque para o braço armado. Vorcaro pagava a bagatela de um milhão de reais por mês para um segurança conhecido como Sicário monitorar desafetos e calar vozes dissidentes.
A ordem do executivo sobre um jornalista que ousou cruzar seu caminho foi cristalina. “Quebrar todos os dentes”, afirmou Daniel Vorcaro em uma das conversas interceptadas, segundo consta na decisão do ministro André Mendonça.
A defesa segue a cartilha clássica e diz confiar no esclarecimento dos fatos e no devido processo legal. No Brasil o crime de colarinho branco sempre vem acompanhado de uma nota de repúdio muito bem redigida e um habeas corpus engatilhado no tribunal.










