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Amor já existia, faltava o nome no papel e Amazonas corre atrás do prejuízo

Geraldo Gripena e Gleisi de Souza Silva - Foto: Luiz Felipe/DPE-AM

A busca pelo registro civil e pelo fortalecimento dos laços familiares mobilizou centenas de pessoas na capital amazonense neste sábado (28/2). A campanha “Eu tenho pai”, iniciativa pioneira da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), programou mais de 600 atendimentos focados no reconhecimento da parentalidade biológica e socioafetiva.

Durante a ação presencial na sede administrativa da instituição, foram ofertados exames gratuitos de DNA e orientação jurídica. A mobilização visa regularizar a situação de crianças e adultos que ainda não possuem o nome do pai ou da mãe em seus documentos oficiais.

O mutirão revelou casos onde o amor já existia antes mesmo da comprovação genética. Gleisi de Souza Silva, 42, e Geraldo Gripena Noronha Sobrinho, 64, buscaram o exame para oficializar um vínculo que começou quando Gleisi tinha 15 anos.

“São muitos anos de convivência e afeto. Já somos pai e filha. Oficializar isso vai ser positivo”, afirma Geraldo Gripena Noronha Sobrinho.

Para ele, o resultado do DNA não mudará a relação construída ao longo de décadas, mas trará a segurança jurídica necessária.

Reconhecimento da mãe

A campanha também abriu espaço para a maternidade socioafetiva. O casal Eline da Silva Souza e Edilson Braga Júnior buscou o registro para o pequeno Benjamin. Eline cuida do menino desde o nascimento e relata que a falta do nome no documento gera dificuldades em viagens e atendimentos hospitalares.

“Ficamos preocupados de alguma autoridade pedir documento e dizer que ela não é a mãe porque o nome não consta no registro. A Defensoria ajudou muito a resolver isso”, explica Edilson Braga Júnior.

Realidade no Amazonas

A iniciativa da DPE-AM ataca um problema social profundo. Dados do Portal da Transparência da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (ARPEN-BRASIL) apontam que, entre 2016 e 2025, mais de 1,6 milhão de crianças foram registradas sem o nome do pai no Brasil.

No Amazonas, os números são ainda mais preocupantes:

  • Estatística estadual: Em 2025, cerca de 10% das crianças nascidas no estado foram registradas apenas com o nome da mãe.
  • Média nacional: O índice de ausência paterna no Brasil é de 7%, o que coloca o Amazonas acima da média do país.
  • Histórico: Na última década, o estado acumulou mais de 66 mil registros com pais ausentes.

Importância social

A defensora pública Sarah Lobo, coordenadora da campanha, ressalta que a ausência do registro gera consequências legais e sociais graves. O projeto permite que a população vulnerável acesse o exame de DNA sem custos, agilizando processos que antes dependiam exclusivamente da justiça.

“O mutirão visa justamente contribuir para a redução dessas estatísticas de pessoas registradas sem o nome do pai”, destaca Sarah Lobo.

Apoio e estrutura

A ação contou com o suporte da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC), que disponibilizou um espaço lúdico para as crianças. Enquanto os responsáveis tratavam da documentação e realizavam os exames, os menores contaram com entretenimento e cuidado especializado.

Alcance da campanha

Para a edição de 2026, a DPE-AM disponibilizou 870 vagas de atendimento. Além das 620 vagas em Manaus, outras 250 foram destinadas aos municípios do interior. Os atendimentos fora da capital seguem um cronograma específico até a primeira quinzena de março, mantendo o compromisso de levar cidadania a todas as calhas dos rios amazonenses.

Fique por dentro

A campanha “Eu tenho pai” foi criada em 2022 pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas e serviu de modelo para a criação da mobilização nacional “Meu pai tem nome”. O projeto é focado em garantir direitos básicos da área de Família, assegurando que o vínculo afetivo seja reconhecido legalmente para fins de herança, pensão e, principalmente, dignidade humana.

ASCOM: Luciano Falbo/DPE-AM

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