
A educação em Manaus vive um momento de encruzilhada. De um lado, os índices de violência e conflitos nas salas de aula preocupam pais e mestres; do outro, surge a tentativa de transformar o ambiente escolar por meio do diálogo.
Nesta sexta-feira (27/2), a Prefeitura de Manaus, via Secretaria Municipal de Educação (Semed), e o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) realizaram uma reunião estratégica no Núcleo Permanente de Autocomposição do MPAM (NUPA) para alinhar o projeto “Escola em Paz” para 2026. A proposta é ambiciosa, mas o desafio de tirar a teoria do papel e levar a paz para as periferias e zonas rurais exige mais do que apenas reuniões de alinhamento.
O projeto se baseia na Justiça Restaurativa, um conceito que substitui a punição tradicional pelo entendimento e pela empatia. Em um cenário onde a segurança pública é pauta constante nos debates políticos, o “Escola em Paz” tenta ser o contraponto humanizado ao autoritarismo.
Expansão para a zona rural
Uma das grandes novidades para 2026 é a interiorização do projeto dentro do próprio município. Pela primeira vez, uma unidade da zona rural será contemplada, a Escola Municipal Ambientalista Chico Mendes. Essa expansão é um passo importante, já que as comunidades ribeirinhas e rurais muitas vezes ficam à margem das políticas públicas desenvolvidas na área urbana.
O subsecretário de Gestão Educacional da SEMED, Arone Bentes, destacou que a união com o órgão ministerial é o que sustenta a rede municipal de ensino básico.
“Essa convergência com o ministério público é fundamental para a nossa rede. O Nupa tem sido um grande aliado da educação básica em Manaus”, afirmou Arone Bentes.
O planejamento para este ano prevê metas claras para os gestores.
- Seleção por distritos: as unidades foram escolhidas por Divisão Distrital Zonal (DDZ), começando pela DDZ Leste 2.
- Ciclos de paz: aplicação de rodas de conversa e círculos de construção de paz entre alunos, professores e famílias.
- Monitoramento: avaliação constante dos avanços para transformar o projeto em uma política pública permanente.
Selo da Justiça Restaurativa
A coordenadora do NUPA, promotora de Justiça Yara Rebeca Albuquerque, explicou que o programa atua diretamente na transformação do ambiente escolar por meio do projeto “Relógio da Paz”. Trata-se de microações semanais que buscam criar uma convivência harmoniosa. As escolas que conseguirem cumprir todas as etapas pedagógicas e de mediação de conflitos receberão o “Selo da Justiça Restaurativa”, uma espécie de certificado de qualidade de convivência.
“O programa trabalha em duas frentes, ambas fundamentadas na Justiça Restaurativa, com formações, cursos e acompanhamento das escolas”, explicou Yara.
No entanto, a crítica que fica é sobre a sustentabilidade dessas ações. Para que o projeto não seja apenas uma “vitrine” em ano de eleições, é necessário que o investimento em facilitadores e psicólogos nas escolas seja real e contínuo.
Fique por dentro
O projeto “Escola em Paz” representa uma tentativa válida de humanizar a educação em Manaus, mas o sucesso depende de um suporte que vá além das palestras. A inclusão da Escola Municipal Ambientalista Chico Mendes, na zona rural, é um marco necessário para a equidade educacional.
O coordenador do Núcleo de Parcerias Institucionais (NUPI) da SEMED, Ricardo Simões, ressaltou que a meta é consolidar o programa como política de Estado. Se a empatia e a resolução colaborativa de conflitos funcionarem na prática, os reflexos serão sentidos não apenas nas notas, mas na segurança de toda a comunidade escolar. Resta saber se o orçamento e a vontade política acompanharão o ritmo dos círculos de paz.
ASCOM: Jorgiane Castinares/ Semed










