
O transporte de passageiros na Região Norte vive um momento crítico que exige um reposicionamento imediato nos projetos de mobilidade urbana. A análise parte de Francisco Bezerra Júnior, presidente da Federação das Empresas de Transportes Rodoviários da Região Norte (FETRANORTE) e do Conselho Regional do Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST SENAT). Para o dirigente, a Amazônia Legal concentra 60% do território brasileiro, mas ainda enfrenta desafios logísticos singulares que impactam diretamente a vida de quem vive e trabalha na região.
O debate central será levado para a “TranspoAmazônia 2026”, a 3ª Edição da Feira e Congresso Internacional que ocorre em maio na capital amazonense. Francisco Bezerra Júnior alerta que o Brasil depende fortemente do modal rodoviário, mas no Norte a realidade é distorcida pela falta de estradas.
Humano esquecido
A polêmica levantada pelo presidente da FETRANORTE gira em torno de uma visão muitas vezes míope da logística, que foca apenas no transporte de mercadorias e ignora as pessoas.

“A logística se preocupa com toda a cadeia de movimentação de carga. Mas essa carga é produzida por pessoas que precisam ir para as fábricas, vendida por pessoas que têm que chegar ao comércio e consumida por pessoas que precisam se deslocar a esse comércio. Por isso, as dificuldades logísticas e o transporte de passageiros precisam ser discutidos como um todo, especialmente na Amazônia, onde na região temos rodovias em um número menor que os rios”, afirmou Francisco Bezerra Júnior.
Rodovia vital
Um dos pontos mais sensíveis da discussão é a situação da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. Para os estados do Amazonas e Roraima, a via é a única conexão terrestre com o restante do país.
A pavimentação da estrada é um tema que divide opiniões entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental, mas para os transportadores, modelos eficazes de governança são a única saída para garantir o deslocamento seguro.
Caos urbano
Além do isolamento rodoviário, o crescimento do transporte individual nas cidades amazônicas agrava os congestionamentos. A solução passa obrigatoriamente pela modernização do sistema coletivo.
- Investimento pesado: Infraestrutura necessária para equipamentos modernos.
- Segurança reforçada: Fator determinante para atrair o usuário de volta ao ônibus.
- Mobilidade inteligente: Redução da eficiência do sistema pelo excesso de veículos pequenos.
- Ambiente de negócios: Encontros presenciais para destravar parcerias público privadas.
Evento gigante
A “TranspoAmazônia 2026” promete ser o palco dessas transformações entre os dias 27 e 29 de maio, no Centro de Convenções Vasco Vasques. O evento é promovido pela Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (FETRAMAZ) e espera movimentar mais de R$ 900 milhões em negócios, consolidando se como o maior do setor na Região Norte.
Lideranças da Câmara Interamericana de Transportes (CIT), da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e da Associação Nacional de Transporte e Logística (NTC&Logística) já confirmaram presença, junto a representantes de 43 países.
Fique por dentro
A mobilidade na Amazônia não pode ser tratada apenas como um problema de engenharia, mas como uma questão de direito social. Enquanto a BR-319 permanece como um gargalo histórico, o debate na “TranspoAmazônia 2026” servirá para pressionar por soluções que integrem o modal rodoviário e hidroviário de forma sustentável. O evento busca equilibrar a necessidade urgente de conexão com o resto do Brasil e a preservação do bioma, em um cenário onde o transporte individual já não dá mais conta do crescimento das metrópoles nortistas.
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