
Quem diria que o mundo dá voltas tão rápidas em Brasília. As recentes canetadas do ministro André Mendonça no inquérito do Banco Master mostram que o Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu mudar o disco e apavorar quem achava que estava protegido. A informação, detalhada na coluna da jornalista Malu Gaspar no jornal O Globo, revela que a Polícia Federal (PF) ganhou carta branca para trabalhar. Enquanto isso, a CPI do INSS ganha um fôlego que tem feito muita gente no Congresso e no governo Lula suar frio.
Quando o processo estava nas confortáveis mãos do ministro Dias Toffoli, a turma da política dormia tranquila. O risco era considerado totalmente sob controle. Toffoli blindou o dono do banco, Daniel Vorcaro, e impediu que a comissão acessasse os dados sigilosos do banqueiro. Mas Mendonça chegou para acabar com a festa e já avisou aos interlocutores que exige uma atuação séria e discreta dos investigadores, sem interferências. Para os caciques de Brasília, isso soa como uma bela ameaça de quem não vai passar pano para ninguém.
Vingança servida fria
A decisão mais amarga para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, caiu no colo dele na última sexta-feira. Mendonça reverteu o bloqueio antigo e mandou a presidência do Congresso entregar todo o material sigiloso direto para a polícia. Nos corredores, a leitura da situação é bem clara.
“Foi uma vingança do Mendonça”, cravou um aliado de Alcolumbre ouvido de forma reservada pela coluna.
A ironia da política explica o desespero. Vale lembrar que em 2021, Alcolumbre segurou a indicação de Mendonça ao Supremo por quatro longos meses. A ideia era tentar emplacar Augusto Aras na vaga. Agora, quem tem a caneta pesada e o poder de complicar a vida dos antigos algozes é justamente o ministro que foi obrigado a amargar a sala de espera.
Recado para a corporação
Mendonça devolveu o trabalho de campo para os agentes federais, autorizando o fluxo normal de perícias e depoimentos que antes Toffoli queria trancar na Procuradoria-Geral da República (PGR). Mas a liberdade veio com regras estritas que soaram como um recado direto para o diretor-geral da corporação policial, Andrei Rodrigues. Alguns pontos determinam o novo ritmo de trabalho.
- Os agentes devem manter o sigilo profissional absoluto do caso.
- Fica proibido o compartilhamento de informações com os superiores hierárquicos.
- O material apreendido volta para análise sem interferência de cima.
A manobra foi a forma elegante que o ministro encontrou para afastar o diretor do caso. Na época de Toffoli, Andrei Rodrigues entregou um relatório bombástico de 200 páginas expondo as conexões financeiras entre o antigo relator e o dono do banco, o que forçou a troca de comando do inquérito.
Fique por dentro
O grande mistério que ronda a Praça dos Três Poderes agora é saber se o processo vai continuar no topo do judiciário. A defesa do banqueiro só conseguiu levar o caso para a corte máxima porque um contrato imobiliário apreendido citou o nome do deputado federal João Carlos Bacelar. Os próximos passos prometem fortes emoções para os envolvidos.
- A citação garantiu o foro privilegiado e tirou o caso da primeira instância.
- Mendonça terá que decidir em breve se mantém a investigação na corte ou se devolve para a base.
- Toda essa dor de cabeça faz parte dos desdobramentos da “Operação Sem Desconto”.










