
O cenário é repetitivo, mas as consequências são cada vez mais graves. Neste sábado, 7/2, as equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) foram mobilizadas em duas frentes emergenciais que sintetizam o maior gargalo urbano da capital amazonense: a avenida Autaz Mirim e o loteamento Campo Dourado. Enquanto máquinas pesadas rasgam o asfalto para substituir tubulações rompidas, a pergunta que fica nos bairros não é sobre a eficiência da prefeitura, mas sobre o comportamento de quem neles habita.
As intervenções na zona Leste e zona Norte não são meras manutenções de rotina. Elas são operações de resgate de um sistema de drenagem que pede socorro sob o peso de construções irregulares e, principalmente, do descarte criminoso de resíduos sólidos.
O gargalo na Autaz Mirim e o risco da alta tensão
Na avenida Autaz Mirim, no Jorge Teixeira, a situação exigiu uma logística complexa. Além da interdição parcial de uma das vias mais movimentadas da cidade, foi necessário o desligamento da rede de alta tensão para que as equipes pudessem trabalhar com segurança. O problema ali tem raízes antigas: construções erguidas de forma irregular sobre a rede de drenagem profunda.
Quando o cidadão constrói sobre uma galeria, ele não apenas coloca a própria vida em risco, mas compromete o escoamento de toda uma região. Somado ao lixo que bloqueia a passagem da água, o resultado é o colapso estrutural que vemos agora no período chuvoso. A substituição dos tubos antigos por modelos em concreto armado, reforçados com pedra rachão, é uma solução definitiva, mas que custa caro aos cofres públicos e à paciência de quem precisa transitar pela área.
O museu do descarte irregular no Campo Dourado

Se na zona Leste o problema é estrutural, na rua Caquetá, no loteamento Campo Dourado, o cenário é de espanto. Durante a desobstrução de uma cratera de cinco metros de largura, o que os técnicos da Seminf encontraram foi um verdadeiro “catálogo” de irresponsabilidade urbana:
- Colchões e sacos plásticos
- Pias com torneiras e vasos sanitários
- Mesas e lixeiras domésticas
Como destacou o prefeito em exercício e titular da Seminf, Renato Junior, a coleta de lixo é diária na região. No entanto, o bueiro continua sendo visto por uma parcela da população como um destino fácil para o entulho doméstico.
“A prefeitura entra com a obra, com estrutura e com equipe, mas é fundamental que cada cidadão faça a sua parte para evitar prejuízos e riscos à própria comunidade”, afirmou Renato Junior durante a vistoria técnica.
A conta que todos pagamos pela falta de consciência
O esforço da prefeitura em atuar durante os fins de semana e em regime de plantão é louvável, mas é um combate aos sintomas, não à causa. O relato do morador Darcivan Leal ecoa o sentimento de muitos: o serviço é rápido, mas o problema do lixo é cultural e antigo.
Para que Manaus deixe de ser refém de crateras e alagamentos a cada temporal, a engenharia precisa ser acompanhada pela educação. Não há tubulação de concreto armado que resista ao bloqueio causado por móveis e detritos. A infraestrutura de 2026 exige uma cidade inteligente, mas, acima de tudo, uma população consciente de que o lixo jogado hoje na rua é o buraco que impedirá seu caminho amanhã.
A Seminf segue em regime de plantão, devolvendo a trafegabilidade às vias, mas a manutenção definitiva da cidade depende de um contrato invisível de respeito entre o cidadão e o espaço público.
ASCOM: Valesca Martins/ Seminf










