
O futebol brasileiro começou 2026 reafirmando que a organização e o aproveitamento de chances valem mais do que investimentos astronômicos sem encaixe. No Estádio Mané Garrincha, em Brasília, o Corinthians não apenas venceu o Flamengo por 2 a 0, como também levantou o troféu da Supercopa Rei, expondo as feridas abertas de um Rubro-Negro que ainda não se encontrou na temporada.
O triunfo corintiano carrega um simbolismo forte. O placar foi aberto por Gabriel Paulista, justamente a peça que marca o fim do “transfer ban”, permitindo que o clube voltasse a registrar reforços. Foi o primeiro gol do zagueiro com a camisa alvinegra, um “cartão de visitas” que deu o tom da segurança defensiva necessária para segurar o ímpeto carioca.
Domínio inútil e o castigo da bola parada
O Flamengo começou o jogo com a postura de quem ditaria o ritmo. Com jogadas trabalhadas por Alex Sandro e Léo Pereira, o time de Filipe Luís cercou a área adversária e criou chances claras com Plata e Pedro. No entanto, a máxima do futebol foi implacável.
- Milagre de Matheus Bidu: Aos 14 minutos, o lateral salvou uma bola em cima da linha após cabeçada de Pedro.
- Oportunismo alvinegro: Aos 25 minutos, na primeira chance real, Matheuzinho levantou na área e Gabriel Paulista finalizou de primeira após desvio de Gustavo Henrique.
- Controle emocional: Enquanto o Corinthians cresceu com o gol, o Flamengo se perdeu em reclamações e nervosismo.
Polêmica da expulsão atrasada e a reestreia amarga de Paquetá
O jogo teve um componente inusitado que promete render debates nas mesas redondas. No último lance do primeiro tempo, Carrascal atingiu Bidon com uma cotovelada. O árbitro Rafael Klein encerrou a etapa sem punir o colombiano, mas, após o intervalo, convocou os capitães e aplicou o cartão vermelho direto após revisão do VAR.
A desvantagem numérica forçou a entrada de Lucas Paquetá aos 13 minutos da segunda etapa. Recebido com festa, o meia tentou organizar o meio-campo, mas o contexto era desfavorável. Ele ainda teve a chance de ouro para empatar o jogo nos acréscimos, mas desperdiçou uma finalização dentro da pequena área.
No contra-ataque letal que se seguiu, Yuri Alberto selou o destino da taça. Com um lençol desconcertante no goleiro Rossi, o atacante cabeceou para o fundo das redes, coroando a vitória tática de Dorival Júnior.
O cenário preocupante para o Flamengo
O início de 2026 tem sido um pesadelo para a torcida rubro-negra. O time acumula derrotas doloridas e um desempenho técnico muito aquém do esperado para o elenco mais caro do continente.
- Risco no Estadual: O time precisa vencer o Sampaio Corrêa no sábado (7) e torcer por resultados paralelos para não disputar o “quadrangular do rebaixamento” no Carioca.
- Estreia no Brasileirão: A derrota para o São Paulo na primeira rodada já deixou o clube sob pressão na tabela nacional.
- Paquetá sob pressão: O meia reestreou em um momento de desorganização coletiva e precisará de tempo para justificar o investimento.
Corinthians renovado e foco no Derby
Do outro lado, o Timão celebra a paz que o título traz. Apesar da derrota na estreia do Brasileirão para o Bahia, a conquista da Supercopa Rei eleva a moral do grupo que agora foca em subir na classificação geral do Paulistão, onde ocupa a sexta posição. O próximo grande desafio é o clássico contra o Palmeiras, no domingo (8), onde o time espera manter a solidez apresentada em Brasília.
“A temporada começa com troféu e esperança de um ano vitorioso e com tranquilidade fora de campo” afirmou um membro da comissão técnica corintiana, resumindo o sentimento que toma conta do Parque São Jorge.










