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O lixo jogado nas ruas de Manaus termina no rio e o cenário assusta

Foto: Valdo Leão / Semcom

O início de fevereiro em Manaus traz um alerta importante sobre o cuidado com a nossa maior riqueza: os rios. Neste domingo (1º/2), a Prefeitura de Manaus, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), mobilizou uma estrutura de guerra no Porto Trairi para realizar a primeira operação de transbordo de lixo do ano. O cenário encontrado no bairro Santo Antônio revela uma realidade preocupante sobre como os resíduos descartados nas ruas acabam sufocando as águas do rio Negro.

A operação começou cedo, às 6h, e o volume de material acumulado ao longo do mês de janeiro exigiu o uso de três balsas de grande porte. Ver essa montanha de resíduos sendo transferida para o aterro sanitário é um soco no estômago para quem ama a Amazônia, evidenciando que o esforço da gestão pública precisa ser acompanhado por uma mudança urgente de comportamento da população.

Os números que revelam o impacto do descarte irregular

O trabalho realizado pelas equipes de limpeza não é apenas manual, ele exige logística pesada com dezenas de máquinas, equipamentos e veículos. O secretário municipal de Limpeza Urbana, Sabá Reis, estima que mais de 400 toneladas de lixo foram retiradas somente nesta ação.

O caminho do lixo até o rio segue um ciclo previsível e destrutivo:

  • Descarte urbano: grande parte dos resíduos é jogada de forma incorreta em calçadas, bueiros e terrenos baldios nas áreas urbanas.
  • Ação das chuvas: no inverno amazônico, as fortes chuvas arrastam esse material para os igarapés que cortam a capital.
  • Destino final: os igarapés desaguam no rio Negro, levando garrafas PET, plásticos e móveis descartados para o leito do rio.
  • Custo público: cada tonelada retirada representa um gasto do dinheiro público que poderia ser investido em outras áreas se o descarte fosse feito corretamente.

A tecnologia das ecobarreiras como defesa dos rios

Para tentar conter esse avanço antes que ele chegue ao leito principal do rio Negro, a prefeitura tem apostado em soluções de engenharia ambiental. As ecobarreiras, instaladas em pontos estratégicos dos igarapés, funcionam como um filtro essencial.

Os resultados obtidos em 2025 mostram a eficiência desse sistema, que barrou cerca de 2,5 mil toneladas de lixo, mantendo uma média superior a 300 toneladas retidas por mês. Ao todo, foram 3.495 toneladas de resíduos sólidos retiradas das águas no ano passado, um número que demonstra o tamanho do desafio enfrentado diariamente.

Além da capital e o atendimento nas comunidades ribeirinhas

A gestão municipal também olha para quem vive longe do centro urbano. O trabalho da Semulsp se estende por afluentes e áreas remotas, garantindo que o lixo não seja jogado diretamente na natureza. Atualmente, 25 comunidades rurais e seis comunidades indígenas contam com coleta regular feita por balsas.

“Esse resultado só é possível porque existe um empenho permanente da gestão municipal” afirmou Sabá Reis ao destacar a prioridade dada pelo prefeito David Almeida e pelo vice Renato Junior a esse trabalho.

Manter essas comunidades atendidas é fundamental para preservar a saúde pública e a biodiversidade da região.

O lixo que volta para a mesa do cidadão

É preciso entender que o impacto do descarte irregular não é apenas visual. A poluição dos rios e igarapés causa a proliferação de doenças e contamina a fauna aquática. O lixo jogado hoje no bueiro pode ser o responsável por um alagamento amanhã ou pela poluição do peixe que chega à mesa dos manauaras.

A operação deste domingo incluiu pontos críticos e áreas em revitalização, como a Praia da Ponta Branca no bairro Educandos. O esforço da prefeitura em ordenar os espaços públicos é contínuo, mas a batalha contra a poluição só será vencida quando a conscientização se tornar um hábito em cada bairro de Manaus.

ASCOM: Dora Tupinambá / Semulsp

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