
Presidente da federação União Progressista (UP) no Amazonas, o governador Wilson Lima, em coletiva nesta quinta-feira (2/3), prometeu “uma federação muito forte” para a disputa eleitoral de 2026.
Ele confirmou os nomes dos deputados estaduais Roberto Cidade e Joana Darc como os nomes do seu partido, União Brasil, para a Câmara federal e garantiu que a agremiação lutará para eleger “mais de cinco deputados” para a Assembleia Legislativa.
A chapa completa para a Câmara é a seguinte: Roberto Cidade, Fausto Jr., Joana Darc, Coronel Menezes, Thaysa Lippy, Therezinha Ruiz e Patrícia Lopes.
Na coletiva, o governador lançou o vereador Rodrigo Sá para disputar o Senado pela federação.
Respondendo a interpelações, Wilson disse que quanto a pré-candidatura do vice-governador Tadeu de Souza ao Palácio da Compensa, a federação “tem até agosto” para decidir sobre o assunto.
“Eu o Tadeu estamos conversando com a cúpula nacional da federação e até agosto decidiremos”, destacou Wilson Lima.
Debandada com CPF eleitoral

O governo do Amazonas virou praticamente um “ponto de desembarque eleitoral” nesta semana. Nove nomes deixaram suas cadeiras para atender o chamado das urnas. Saíram com destino certo: candidaturas a cargos no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa.
Entre os que arrumaram as malas estão Joana Darc, que deixa a Secretaria de Proteção Animal (Sepet) mirando Brasília; Serafim Corrêa, que abandona a Sedecti para tentar voltar à Câmara dos Deputados; Vinícius Almeida, que troca a Segurança Pública pela pré-candidatura à Aleam; Kely Patrícia Paixão Silva, que sai da Assistência Social já de olho numa vaga no Legislativo estadual.
Não se trata de reforma administrativa, mas de pré-campanha com carimbo oficial. Todos na folia eleitoral.
Quem vai correr atrás de voto

A lista de despedidas não para nos secretários mais vistosos. Tem também nomes como Patrícia Lopes, que deixa a função na Secretaria de Governo; Marcel Alexandre, que sai da Amazonastur; Marcellus Campêlo, ex-Unidade de Gestão de Projetos Especiais (UGP); Fábio Albuquerque, que comandava o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (CETAM); e Therezinha Ruiz, da UGP-PADEAM.
Como se vê, o governo enxugou cadeiras para inflar palanques. E o Diário Oficial virou, basicamente, um diário de despedidas com cheiro de santinho novo.
PL: cabeça grande, corpo em falta

O PL montou uma chapa de deputado estadual que, se fosse um boneco, seria um cabeçudo de Olinda: impressiona de longe, mas não se sustenta em pé.
Tem voto? Tem. E muito. Na vitrine: Cabo Maciel, Delegado Péricles, Débora Menezes e agora Kidson Maia, todos com potencial de sobra.
O problema? Falta o resto. Sem “buchas de canhão” para ajudar no coeficiente, o partido corre o risco de viver o pior dos mundos: voto alto e cadeira sobrando para os outros.
Trocando em miúdos, o PL tem estrelas, mas pode faltar figurante num cenário em que eleição proporcional não perdoa elenco incompleto.
O partido também enfrenta o problema chamado Kidson Maia, apadrinhado pelo vereador Sargento Salazar para brigar por vaga na ALEAM. Kidson causou ciumeira porque pode crescer demais e atropelar figurões da legenda.
Procuram-se “buchas de canhão”
Segundo fontes da coluna nos bastidores liberais, o clima no PL é de feirão de última hora: “traga seu candidato, bucha de canhão, e ganhe um coeficiente”.
A matemática eleitoral é cruel — não basta ter quatro puxadores de voto. Precisa de volume, de base, de gente somando.
Caso contrário, a tal “chapa-alfinete” vira peça de museu: bonita, rara, mas inútil na prática. E, pior, o relógio não ajuda.
Se não aparecer gente disposta a entrar na disputa — mesmo que só para fazer número — o PL pode assistir à própria implosão com votos sobrando e cadeiras faltando.
Avante e as buchas desaparecidas

Se o PL sofre com falta de corpo, o Avante já perdeu até a sombra. A chapa federal do partido foi minguando, emagrecendo, evaporando, e agora virou um problema matemático sem solução fácil.
Sem nomes fortes para puxar votos, surge o drama: como eleger Aryel Almeida, a “menina de ouro”, prioridade máxima dos avantistas sob a batuta de David Almeida?
Resposta de aliados: não elege, não dá para fazer água até Brasília. Daí a saída pragmática, embora constrangedora: recuar enquanto é tempo.
Plano B é apostar na Aleam
A solução defendida nos bastidores é quase um “recuo estratégico com cara de emergência”: tirar Aryel da disputa federal e colocá-la na briga por uma vaga na ALEAM.
Nessa nova disputa, ela precisará de menos voto e menos estrutura. Mas tem um detalhe: lá já está o tio, o deputado Daniel Almeida, lutando pela reeleição.
Então, o problema, que era federal, vira familiar. E o ex-prefeito David Almeida, que jurava ter “chapa fechada”, agora terá que reorganizar o tabuleiro, porque, no fim das contas, sem bucha de canhão não há coeficiente, e sem coeficiente não há milagre eleitoral.
Joana volta, cadeira roda e Amauri dança

A volta de Joana Darc à ALEAM acionou o velho efeito dominó da política amazonense. Sai da secretaria, volta ao mandato.
Com isso, Professora Jacqueline faz o caminho de volta para a Câmara Municipal de Manaus. E quem paga a conta? O agora ex-vereador Amauri. De novo.
ONGs voltam a travar a BR-319

Pela enésima vez, organizações ambientalistas acionam o Poder Judiciário para impedir o asfaltamento da BR-319, obra essencial para integrar o Amazonas ao restante do Brasil.
O Observatório do Clima, coalizão de mais de 130 ONGs, anunciou ação federal contra edital do Ministério dos Transportes que prevê R$ 678 milhões para pavimentação do trecho do meio da rodovia.
O Ministério dos Transportes deu um passo rumo à conclusão da rodovia ao publicar edital de licitação para os 339,4 quilômetros do chamado “trecho do meio” — segmento entre o Igarapé Atií e o distrito de Realidade, em Humaitá, no sul do Amazonas.
O investimento estimado é de R$ 678 milhões, com o edital previsto para ser publicado em abril. A resposta do ambientalismo organizado foi imediata: recorrer aos tribunais.
Lei Geral de Licenciamento
O argumento jurídico das ONGs é que o Ministério dos Transportes teria utilizado um artigo da nova Lei Geral de Licenciamento Ambiental — o art. 8º, inciso VII — que isenta de licenciamento obras de melhoria em infraestruturas preexistentes, incluindo rodovias anteriormente pavimentadas.
O dispositivo, vetado pelo presidente Lula, foi restabelecido pelo Congresso Nacional. As organizações contestam sua aplicação ao caso da BR-319.
Mas, o que os grupos ambientalistas chamam de “absurdo jurídico”, a realidade do interior do Amazonas chama de urgência histórica.
A BR-319 é o único eixo terrestre que liga Manaus ao restante do país. Sem pavimentação adequada, a rodovia fica intrafegável por meses a fio na estação das chuvas, isolando populações, encarecendo o custo de vida e bloqueando o desenvolvimento regional.










