
O avanço da inteligência artificial trouxe um desafio sem precedentes para a segurança digital no Brasil. No início de março de 2026, a Meta acionou a justiça contra grupos especializados em criar anúncios fraudulentos conhecidos como “celeb-bait”.
A tática utiliza imagens e vozes clonadas de personalidades de alta credibilidade para enganar consumidores e promover produtos de saúde sem qualquer registro sanitário ou eficácia comprovada.
Diferente de anos anteriores, os criminosos agora operam de forma transnacional, com redes localizadas na China e no Vietnã que miram especificamente o público brasileiro. Especialistas alertam que o volume de conteúdos falsos gerados por IA triplicou nos últimos dois anos no país, transformando o que era apenas um incômodo em um grave problema de segurança e saúde pública.
Famosos na mira
Mesmo após anos de alertas, nomes como o médico Drauzio Varella e as apresentadoras Ana Maria Braga e Renata Vasconcellos continuam sendo as principais vítimas dessas manipulações. O médico, inclusive, classificou as ações judiciais recentes como “uma gota de água em um oceano de estelionato”, reforçando que o combate a essas fraudes exige uma vigilância constante e ferramentas de detecção muito mais ágeis.
Recentemente, outros nomes entraram na lista de alvos das quadrilhas:
- Marcos Mion teve a voz clonada para oferecer promoções falsas de restaurantes.
- Gisele Bündchen foi usada em vídeos de IA para vender kits de beleza inexistentes.
- Jornalistas da CNN Brasil e do Jornal Nacional tiveram imagens manipuladas para dar veracidade a golpes financeiros.
Esquemas sofisticados
As investigações policiais apontam que não se trata de amadores. Foram descobertas “universidades do crime digital” onde mentores ensinam como usar ferramentas de IA para criar vídeos que passam despercebidos pelos filtros das redes sociais. Os criminosos pagam por anúncios impulsionados que são direcionados exatamente para o perfil da vítima, usando dados de interesse e faixa etária.
O prejuízo financeiro é enorme, com operações recentes bloqueando mais de R$ 210 milhões em ativos de uma única rede criminosa. O foco agora das autoridades brasileiras é punir não apenas quem cria o vídeo, mas também quem financia o impulsionamento dessas campanhas fraudulentas que prometem lucros rápidos ou curas milagrosas.
Como se proteger
Para não cair nessas armadilhas digitais, alguns sinais de alerta são fundamentais no dia a dia do usuário:
- Desconfie de ofertas excessivamente vantajosas ou “brindes” de marcas famosas.
- Observe a sincronia labial e possíveis falhas na textura da pele nos vídeos.
- Verifique se o link de destino pertence ao site oficial da empresa ou personalidade.
- Lembre-se que grandes instituições de saúde e médicos renomados não fazem propaganda de remédios milagrosos.
O combate ao crime cibernético exige que o consumo de informação nas redes seja feito com um olhar crítico e desconfiado. Enquanto as plataformas e a justiça tentam fechar o cerco contra os estelionatários, a melhor defesa do cidadão continua sendo a informação e o cuidado com seus dados pessoais.










