“Viper Paradise” e “Sebastião” prometem abalar Manaus com arte, política emoção

Os espetáculos sobem ao palco do Teatro Gebes Medeiros pela mostra “Jurupari Adulto” e tem entrada gratuita

Foto: Vitor Dias

O Teatro Gebes Medeiros, localizado na avenida Eduardo Ribeiro, 937, no Centro de Manaus, recebe as sessões das 22h do 19º Festival de Teatro da Amazônia (FTA), com espetáculos da mostra “Jurupari Adulto”. Na quinta-feira (09/10), a Companhia Transversal de Artes Integradas apresenta “Viper Paradise” e, na sexta-feira (10/10), tem “Sebastião”, do Ateliê 23. A entrada é gratuita nas duas peças, que têm classificação indicativa de 16 anos.

Em “Viper Paradise”, Verônica Bourbón é dona da boate que, de noite, é um paraíso, mas, durante o dia, pode ser um grande pesadelo. A obra se passa durante o regime militar, na fase mais violenta, quando Manu é resgatada das ruas e guarda o paradeiro de seu companheiro.

“‘Viper Paradise’ é ambientada na Manaus dos anos 80, onde a repressão pela ditadura era forte e o processo de exclusão de corpos dissidentes era uma política de estado. A gente fala de como essas relações aconteciam na calada da noite, em lugares onde a diversão era um refúgio para dias sombrios”, comenta Felipe Maya Jatobá, diretor do espetáculo.

“Chegamos no Festival de Teatro da Amazônia após sucesso no Festival do Vale do Paranhana, Rio Grande do Sul, onde conquistou seis prêmios, incluindo o de ‘Melhor Espetáculo’. A recepção para esse trabalho está num lugar político e social de dar visibilidade e protagonismo à pauta transgênero e mostrar de forma poética que, mesmo em tempos de limitação das liberdades, existiam relações humanas profundas”, completa o artista.

A ficha técnica de “Viper Paradise” conta com Felipe Maya Jatobá na direção, dramaturgia, trilha sonora e elenco (ao lado de Nicka). A cenografia é em parceria com Robert Moura, que também é responsável pela iluminação. A Cia Transversal assina maquiagem e caracterização, com Henrique Dias no figurino e Paulo Oliveira e Ana Julia Bertrand na produção.

“Sebastião”, espetáculo do Ateliê 23, foi indicado em cinco categorias do Prêmio Cenym de Teatro Nacional em 2025 e é inspirado no livro “Um Bar Chamado Patrícia”, do estilista Bosco Fonseca. Sucesso de público e de crítica pelo Brasil, com ingressos esgotados em todas as sessões, a produção foi indicada em “Melhor Companhia de Teatro”, “Melhor Elenco”, “Melhor Qualidade Artística de Produção”, “Melhor Figurino” e “Melhores Adereços e Objetos de Cena”.

Com memórias da década de 70, direto do Bar Patrícia, aliadas à experiência dos atores, a companhia amazonense apresenta números musicais e depoimentos emocionantes sobre diferentes tipos de violência. O nome é uma referência a São Sebastião e a montagem traz a versão da história do santo para que ele tenha se tornado um patrono da comunidade LGBTQIAPN+.

“É a segunda vez que apresentamos um espetáculo nosso nesse horário no festival. A primeira foi com ‘Cabaré Chinelo’, em 2023. É uma forma de provocar o público”, afirma Taciano Soares, diretor da peça. “Experimentar uma obra como ‘Sebastião’, com aquele mix de emoções que o espetáculo propõe ao espectador e sair do teatro quase meia-noite é, no mínimo, um convite a sairmos de nossas zonas de conforto. Todos nós, artistas e público. Tenho certeza que será uma experiência inesquecível”.

No elenco, estão Taciano Soares, Eric Lima, Francis Madson, Andiy, Elias Difreitas, Jorge Sabóia e José Holanda, que dão vida a sete drag queens: Carmencita, Little Drag, Chica, Angel, Vênus, Lady Sinty e Sebastiane.

A banda do espetáculo tem Zanisk e Luana Aranha no baixo e nos beats, Mady na guitarra e Bruno Rodriguez no teclado. A equipe conta ainda com Daphne Pompeu na dramaturgia (com Eric Lima e Taciano Soares), Emily Danali na assistência de direção, Lacruz na assistência de produção, e Lore Cavalcanti e Paulo Martins na iluminação.

Assessoria de comunicação: Manuella Barros

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