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Vácuo no comando do Irã expõe fragilidade do regime em meio a ofensiva ocidental

O Oriente Médio presencia um dos momentos mais críticos de sua história recente. A morte surpreendente do aiatolá Ali Khamenei no último sábado, 28 de fevereiro, resultado de ataques conjuntos dos Estados Unidos da América (EUA) e de Israel, mergulhou o Irã em uma crise de liderança sem precedentes.

O vácuo no poder ocorre em pleno tempo de guerra e a situação se agravou ainda mais nesta terça-feira (3/2) com um novo bombardeio direcionado ao órgão responsável por escolher o próximo líder supremo do país.

Ataque em Qom

A Assembleia de Peritos é o colegiado formado por 88 membros com a autoridade constitucional para nomear o novo aiatolá. A sede desse grupo na cidade de Qom foi atingida por bombardeios israelenses e norte americanos.

Um oficial de defesa de Israel declarou à imprensa local que o alvo foi atacado exatamente durante uma votação sobre o sucessor de Khamenei. As autoridades ainda não esclareceram quantos clérigos estavam presentes no edifício no momento da explosão.

A assembleia sofre críticas constantes por sua falta de independência. O Conselho dos Guardiães, cujos integrantes eram nomeados pelo próprio Khamenei, é quem seleciona os candidatos, garantindo que vozes da oposição não tenham representação.

Conselho provisório

Até que a sucessão seja definida, a governança do país passa para um conselho provisório de três membros anunciado por Teerã no domingo (1º/3). Esta é apenas a segunda vez que o processo constitucional de transição é ativado. A primeira ocorreu em 1989 após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, mas aquela transição foi pacífica, cenário muito diferente do atual.

O conselho temporário é composto por figuras centrais do regime.

  • Masoud Pezeshkian é o atual presidente do país.
  • Gholam Hossein Mohseni Ejei atua como chefe do Poder Judiciário e foi ministro da Inteligência entre 2005 e 2009.
  • Alireza Arafi é membro do Conselho dos Guardiães e vice presidente da Assembleia de Peritos, conhecido internacionalmente por um encontro com o Papa Francisco no Vaticano em maio de 2022.

A imprensa internacional descreve Arafi como um proeminente clérigo da linha dura. Mohseni Ejei também possui um histórico severo. Em janeiro, durante protestos econômicos no Irã, ele prometeu punição rígida.

“Nenhuma clemência”, declarou Gholam Hossein Mohseni Ejei ao se referir aos manifestantes que chamou de desordeiros.

Ambos são considerados potenciais sucessores.

Nomes na disputa

A corrida pelo poder máximo do regime envolve figuras conhecidas e alianças estratégicas. Alguns nomes despontam nos bastidores políticos iranianos.

  • Mojtaba Khamenei é filho do líder falecido e possui o apoio de facções radicais e do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC).
  • Hassan Rouhani é o antigo presidente da república que havia sido excluído da assembleia anteriormente.
  • Hassan Khomeini é neto do fundador Ruhollah Khomeini e também tenta retornar após exclusões passadas.
  • Sadeq Amoli Larijani é o atual presidente do Conselho de Discernimento de Conveniência do Sistema e ex chefe do judiciário.

A família Larijani possui um longo histórico de poder e controvérsias, incluindo alegações de corrupção que ganharam força durante a presidência de Mahmoud Ahmadinejad. O próprio Ahmadinejad é outro líder iraniano que foi morto nos ataques mais recentes do ocidente.

Comando militar

O regime parece ter antecipado a possibilidade de eliminação de sua cúpula e descentralizou a cadeia de comando. Declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, e de membros do (IRGC) sugerem que comandantes regionais receberam autoridade operacional pré aprovada caso a alta liderança fosse incapacitada.

Ali Larijani, irmão de Sadeq, desempenha papel central na coordenação da segurança nacional e recebeu mais poderes de Khamenei nas últimas semanas para cuidar das relações externas. Isso o torna um alvo em potencial para novos ataques.

“O país está preparado para uma guerra prolongada”, afirmou Ali Larijani, que atua como secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

A crise atual representa o maior teste de sobrevivência do regime diante da pressão militar e econômica.

Fique por dentro

A instabilidade política e militar no Irã afeta diretamente a economia global. O país controla rotas fundamentais para o escoamento de petróleo e qualquer escalada na guerra pode causar o disparo nos preços dos combustíveis no Brasil. Acompanhar a transição de poder no Oriente Médio é essencial para entender os próximos passos da geopolítica e como o mundo reagirá a um regime descentralizado e sob ataque constante. O cidadão precisa estar atento, pois conflitos do outro lado do mundo refletem nas prateleiras dos nossos supermercados.

Fonte: https://pt.euronews.com/2026/03/04/o-que-e-a-assembleia-de-peritos-do-irao-e-quem-sucedera-a-khamenei

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