Três mortes e dezenas de doentes revelam perigo oculto dos cogumelos silvestres

Surto de cogumelos venenosos já deixa três mortos na Califórnia – Foto: FreePik

A natureza costuma oferecer cenários deslumbrantes após longos períodos de chuva, mas no norte da Califórnia, o que parecia um presente da biodiversidade se transformou no maior pesadelo de saúde pública da história recente do estado. O alerta emitido pelas autoridades de saúde não é apenas um protocolo de rotina, mas uma resposta desesperada a um surto sem precedentes de intoxicação por cogumelos silvestres. Com três mortes confirmadas e dezenas de pessoas gravemente enfermas, o episódio acende uma luz vermelha sobre o perigo de subestimar a toxicidade de seres que, aos olhos de amadores, parecem perfeitamente comestíveis.

O fenômeno climático que despertou o veneno silencioso

A explicação para essa profusão incomum de fungos letais reside no equilíbrio delicado do clima. As chuvas intensas registradas no final de 2025 e o início de um 2026 com temperaturas mais amenas criaram o ambiente perfeito para a proliferação acelerada do micélio no solo. O que os especialistas chamam de explosão micológica resultou no surgimento de espécies em locais onde antes não eram comuns, pegando de surpresa até mesmo coletores que se consideravam experientes.

O perigo reside na semelhança visual extrema entre espécies inofensivas e aquelas que carregam toxinas fatais. O cenário atual na costa oeste dos Estados Unidos mostra que o conhecimento popular nem sempre é suficiente para garantir a segurança alimentar quando se trata de coleta silvestre. A situação é tão crítica que condados como Sonoma e San Francisco registraram em poucos meses o volume de casos que normalmente levariam dez anos para ocorrer.

A armadilha visual das espécies mais letais do mundo

Existem duas figuras centrais nessa tragédia ambiental que são a “death cap”, cientificamente chamada de Amanita phalloides, e o “anjo destruidor do oeste”. Estas espécies são responsáveis pela grande maioria das hospitalizações registradas desde novembro. O grande problema desses fungos é a forma como eles enganam os sentidos humanos.

  • A espécie Amanita phalloides possui um aspecto muito similar a cogumelos comestíveis comuns em diversas culinárias.
  • O veneno contido nesses fungos não é eliminado pelo cozimento ou por qualquer processo doméstico de preparo.
  • Uma pequena quantidade ingerida por uma criança é suficiente para causar danos irreversíveis.
  • Os locais de coleta variam de trilhas isoladas a quintais residenciais em áreas urbanas.

Quando o socorro médico corre contra o tempo

Um dos pontos mais esclarecedores e assustadores sobre esse envenenamento é o intervalo de tempo entre a ingestão e os primeiros sinais de mal estar. Diferente de uma infecção alimentar comum que se manifesta rapidamente, os sintomas das espécies letais da Califórnia podem levar até 24 horas para surgir. Esse atraso faz com que as vítimas não associem o desconforto abdominal à refeição feita no dia anterior, perdendo janelas preciosas de tratamento.

Quando os sintomas como vômitos e dores abdominais intensas finalmente aparecem, as toxinas já iniciaram um ataque agressivo ao fígado. O quadro clínico evolui com tamanha velocidade que a medicina muitas vezes fica limitada. No surto atual, três pacientes precisaram de transplantes de fígado de emergência para sobreviver, incluindo uma criança que agora enfrenta as consequências de uma decisão que parecia inofensiva durante uma trilha em família.

A recomendação atual é rigorosa e não deixa margem para dúvidas. A coleta na natureza deve ser substituída pela compra em estabelecimentos certificados e com procedência garantida. Diante de qualquer suspeita de ingestão acidental, a orientação é buscar o pronto-socorro imediatamente, antes mesmo que os primeiros sintomas se manifestem, pois no caso da Amanita phalloides, a prevenção é o único caminho seguro.

Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2026-01-16/surto-de-cogumelos-venenosos-ja-deixa-tres-mortos.html

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