
O que ocorre hoje no Polo Industrial de Manaus (PIM) é o retrato de um Brasil que insiste em viver em dois séculos ao mesmo tempo. De um lado, temos a excelência da TPV do Brasil Indústria de Eletrônicos, uma empresa que opera com robôs colaborativos e linhas de montagem automatizadas de última geração.
Do outro, temos o “estamento burocrático” representado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que visita fábricas para descobrir, com décadas de atraso, que os rios secam e que a logística na Amazônia é um caos.
É um exercício de paciência observar como a iniciativa privada consegue manter cerca de 1.900 colaboradores e operar em três turnos enquanto o Estado patina no básico.
A TPV não está apenas fabricando televisores ou monitores, ela está realizando um milagre de sobrevivência em um ambiente onde a infraestrutura é tratada como um detalhe menor pela classe política.
A ilha tecnológica
A modernização da TPV com a implementação da linha de montagem de placas eletrônicas (SMT) mostra que o empresariado não espera por Brasília para entrar na “Indústria 4.0”.
O uso de tecnologia avançada e a busca por eficiência ergonômica são respostas concretas a um mercado global que não perdoa a lentidão.
Enquanto os burocratas discutem teses, as máquinas da TPV trabalham para garantir que o produto chegue ao consumidor final, apesar de todos os obstáculos impostos pela geografia e pela má gestão pública.
O nó logístico
O grande fantasma que assombra o setor não é a falta de tecnologia, mas a “vazante dos rios”. É um escárnio que, em 2026, ainda estejamos debatendo como a seca impacta o abastecimento de componentes essenciais. Esse problema é previsível e recorrente, mas a resposta oficial costuma ser apenas mais uma rodada de conversas institucionais.
O custo dessa inércia recai sobre quem produz, encarecendo o frete e desafiando a viabilidade de novos investimentos na região.
A comitiva liderada pelo superintendente Leopoldo Montenegro mencionou a Reforma Tributária e a Lei de Informática como motores de atração de negócios. No entanto, o otimismo oficial esbarra na realidade prática.
“Agora o foco precisa ser a atualização do Plano Diretor, a fim de garantir a infraestrutura necessária para recepção desses potenciais investimentos”, explicou Leopoldo Montenegro.
O problema é que, na gramática do poder, “atualizar plano” costuma ser um eufemismo para adiar soluções urgentes enquanto se criam novos grupos de trabalho.

A lição humana
Enquanto o poder público falha na entrega do básico, a iniciativa privada assume papéis que extrapolam a função econômica. No ano passado, a TPV foi reconhecida pela Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) como a empresa que mais doou sangue na capital.
“A empresa realiza campanhas de doação de sangue a cada 4 meses, tendo arrecadado mais de 150 bolsas na última campanha. No ano passado, a TPV foi reconhecida pelo Hemoam como a instituição privada que mais doou sangue em Manaus em 2025”, salientou Marcio Ferez.
Essa integração social mostra que a fábrica é um organismo vivo que sustenta a comunidade onde está inserida.
O Brasil precisa decidir se continuará sendo o país onde o progresso é um acidente que ocorre apesar do governo, ou se finalmente terá a coragem de pavimentar o caminho para quem realmente gera riqueza e salva vidas.










