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Tensão global aumenta com impasse entre Estados Unidos e Irã sobre acordo nuclear

O mundo acompanha com extrema apreensão as novas rodadas de negociações nucleares entre os Estados Unidos e o Irã. As conversas foram retomadas em Genebra, marcando o terceiro encontro mediado por Omã neste mês. A tentativa de selar um acordo esbarra em exigências opostas que ameaçam transformar a diplomacia em um campo de batalha aberto.

O presidente norte-americano, Donald Trump, enviou uma frota de aviões e navios de guerra para o Oriente Médio com o claro objetivo de encurralar Teerã.

A Casa Branca não aceita meias medidas e exige a suspensão total do enriquecimento de urânio iraniano.

O governo norte-americano também quer que o programa de mísseis balísticos e o apoio a grupos como o Hamas, o Hezbollah e os Houthis sejam incluídos no acordo.

O Irã, por sua vez, bate o pé e insiste que o diálogo deve tratar única e exclusivamente do tema nuclear.

A temperatura subiu ainda mais durante o discurso sobre o estado da união, quando Trump acusou o país de patrocinar o terrorismo e criticou a repressão brutal aos protestos internos.

“Foram avisados para não fazerem tentativas futuras de reconstruir o seu programa de armamento, e em particular de armas nucleares, mas continuam. Estão a começar tudo de novo”, declarou o presidente Donald Trump.

Ameaças de guerra

A resposta de Teerã veio em tom ameaçador, classificando as falas americanas como grandes mentiras.

O país já avisou que todas as bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio e o próprio território de Israel são alvos legítimos caso Washington decida por uma intervenção armada.

“Não haveria vitória para ninguém seria uma guerra devastadora”, alertou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.

Ele ressaltou que toda a região seria engolida por um cenário terrível devido à enorme quantidade de bases americanas espalhadas pelos países vizinhos.

Como demonstração de força, as tropas iranianas dispararam mísseis e chegaram a fechar temporariamente o Estreito de Ormuz (por onde passa um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo) para exercícios com fogo real.

“O exército mais forte do mundo pode, por vezes, receber uma bofetada tal que não consegue voltar a pôr-se de pé”, provocou o aiatolá Ali Khamenei.

O impasse balístico

A intransigência sobre o arsenal de longo alcance gera forte pessimismo na equipe americana.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, avaliou que um avanço rápido nesta rodada é altamente improvável. Ele demonstrou séria preocupação com os mísseis convencionais que ameaçam frotas navais e bases localizadas nos Emirados Árabes Unidos (EAU), no Catar e no Bahrein.

“Também é importante lembrar que o Irão se recusa a falar sobre os mísseis balísticos connosco ou com qualquer outra pessoa, e isso é um grande problema”, ressaltou o secretário Marco Rubio.

Sombras do urânio

Outro ponto de atrito envolve o acesso da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O Irã garante que não enriquece urânio desde o conflito com Israel ocorrido em junho de 2025, mas bloqueou a visita de inspetores internacionais às instalações atacadas.

Imagens de satélite revelaram movimentações suspeitas, sugerindo tentativa de recuperação de material.

Antes do bombardeio de junho, o país já estava enriquecendo urânio a 60% de pureza, um passo técnico muito pequeno para atingir os 90% necessários para criar uma ogiva.

A inteligência americana avalia que, embora o Irã não tenha reiniciado a produção da arma, está em uma posição técnica muito superior caso decida fazê-lo.

“O princípio é muito simples o Irão não pode ter uma arma nuclear”, pontuou o vice-presidente dos EUA, JD Vance.

Ele destacou que Trump busca uma saída diplomática, mas deixou claro que o presidente possui outras opções na manga.

Fique por dentro

O cenário em Genebra é o último fio de esperança antes de um rompimento que pode sufocar a economia mundial e acender o barril de pólvora no Oriente Médio.

  • Armamento: a recusa de Teerã em negociar seu programa de mísseis trava as conversas.
  • Fiscalização: o bloqueio aos inspetores da AIEA aumenta a desconfiança do Ocidente.
  • Geopolítica: o fechamento do Estreito de Ormuz funciona como um recado direto de que o Irã pode estrangular o fornecimento global de petróleo se for atacado.

Fonte: https://pt.euronews.com/2026/02/26/conversacoes-nucleares-entre-os-eua-e-irao-sao-retomadas-em-genebra

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