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Teatro negro invade palco em Manaus e promete noites de arte humor e reflexão

Foto: Divulgação

A cena cultural de Manaus recebe um projeto impactante que une pesquisa, ancestralidade e vivências periféricas. Entre os dias 18 e 20 de março, a produtora Café Preto realiza sua primeira mostra artística no Artemax Manaus, localizado na Rua Acre, nº 167, no bairro Nossa Senhora das Graças. O evento apresenta três espetáculos que mergulham no teatro negro dentro do território amazônico, oferecendo ao público uma oportunidade gratuita de prestigiar obras premiadas e autorais.

Com cinco anos de atuação na capital, a produtora Café Preto Produções Artísticas celebra sua trajetória consolidando narrativas que dão voz às populações negra e LGBTQIAPN+. As apresentações ocorrem sempre às 19h30 e os ingressos podem ser acessados livremente por toda a comunidade.

Programação de espetáculos

A mostra foi estruturada como um recorte do repertório construído pelo grupo desde sua criação em 2021. Cada noite será dedicada a uma obra que investiga diferentes aspectos da realidade urbana e social da nossa região.

  • Quarta-feira (18), Mojubá: protagonizado por “Correnteza Braba” e com direção musical de Ana Paula Mady. A obra utiliza a simbologia de Exu e das encruzilhadas para discutir subversão e ginga. O espetáculo foi o grande vencedor do Festival de Teatro da Amazônia (FTA) em 2025, levando os prêmios de melhor espetáculo, melhor atriz, melhor iluminação, melhor direção e melhor dramaturgia.
  • Quinta-feira (19), Menino: com direção e produção de Paulo Martins e direção musical de Enos Lopes e Ana Paula Mady. A peça é um relato autobiográfico sobre as infâncias negras na zona leste de Manaus, percorrendo memórias da juventude e expondo conflitos raciais que atravessam a trajetória do artista.
  • Sexta-feira (20), Deusa Profana: Randy Souza encerra a programação com uma obra voltada para a identidade travesti. A dramaturgia tensiona os conceitos de “Deusa”, e “Profana”, para refletir sobre dignidade, afeto, bem-viver e as múltiplas formas de existência de um corpo dissidente.

Identidade e resistência

Para os organizadores, o projeto é mais do que uma série de apresentações, pois representa a materialização de pesquisas profundas sobre o que significa fazer arte negra na Amazônia contemporânea. Randy Souza ressalta que o projeto busca criar novas memórias coletivas na cidade, focando em potências criativas que muitas vezes estão às margens do circuito tradicional.

“Manaus pulsa arte, e realizar este projeto voltado para a comunidade trans, negra e periférica é uma forma de materializar nossas potências criativas e criar novas memórias coletivas na nossa cidade”, afirmou Randy Souza.

A cofundadora Correnteza Braba destaca que a mostra reafirma a presença de uma prática artística contemporânea comprometida com as pautas sociais que atravessam o território e seus sujeitos.

“É também uma comemoração do teatro negro presente em Manaus”, enfatizou.

Apoio e fomento

A realização da 1ª Mostra Café Preto foi viabilizada pelo Edital LGBTQIAPN+ nº 003/2024, através da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). O projeto conta com o suporte da Prefeitura de Manaus, via Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) e Conselho Municipal de Cultura (Concultura), além do Governo Federal por meio do Ministério da Cultura.

Serviço

  • O quê: 1ª Mostra Café Preto de Teatro.
  • Quando: De 18 a 20 de março, às 19h30.
  • Onde: Artemax Manaus, na Rua Acre, nº 167, bairro Nossa Senhora das Graças.
  • Entrada: Gratuita.

ASCOM: Vívian Oliveira

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